O Presidente Seguro está entrando no morass criado pelos planos do governo para a reforma trabalhista.
Após meses em que os sindicatos estiveram em desacordo com os líderes políticos, António José Seguro parece acreditar que pode haver uma solução. Ele afirmou em Leiria hoje (onde está encerrando uma semana de Presidência Aberta) que se reunirá “muito em breve com todos os parceiros sociais”, que ele já disse há meses que devem estar ‘no acordo’.
A alegação do governo de que ‘venha o que vier’ irá apresentar suas propostas ao parlamento é claramente vista pelo chefe de Estado como míope. O Presidente Seguro disse, mesmo antes de assumir o cargo, que vetaria qualquer projeto de lei que não tivesse o apoio dos sindicatos. Isso não significa que ele possa bloquear totalmente as intenções do governo. Um veto serviria apenas como uma tática de atraso (já que os poderes presidenciais não se estendem a rejeitar legislação proposta definitivamente), mas o presidente obviamente quer ver uma reforma ‘justa’ – e isso significa uma que seja apoiada pelos sindicatos.
Hoje, em Leiria, membros da CGTP estavam em evidência, reclamando que foram bloqueados das negociações devido às suas ‘exigências’ (e sua postura que levou à primeira greve geral em mais de uma década), e pedindo uma reunião uma vez que o presidente esteja de volta a Belém – um pedido ao qual ele prontamente concordou.
Ainda hoje, a UGT entregou sua ‘opinião negativa’ sobre as últimas propostas do governo ao ministro do trabalho, enquanto o primeiro-ministro afirmou que espera que as conversas possam trazer tudo ‘de volta aos trilhos’ nos próximos dias, porque as negociações não podem continuar por muito mais tempo.
De uma forma ou de outra, o governo insiste que reformas trabalhistas são necessárias. Pode ser que o Presidente Seguro traga alguma clareza ao que, de outra forma, é uma ‘grande confusão’.
Fonte: SIC citando Lusa
