O Serviço Nacional de Saúde de Portugal gasta milhões em antidepressivos, enquanto doentes cardíacos morrem à espera de cirurgias

O Serviço Nacional de Saúde de Portugal gasta milhões em antidepressivos, enquanto doentes cardíacos morrem à espera de cirurgias


Três histórias relacionadas à saúde estão em destaque hoje, ressaltando as dificuldades enfrentadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), frequentemente ‘criticadas’ por não conseguir atender às exigências.

Primeiro, somos informados de que o país “não dispensou mais medicamentos psicotrópicos por dia do que nos últimos dez anos” (provavelmente significando que nunca dispensou esse número de medicamentos psicotrópicos — também conhecidos como antidepressivos e antipsicóticos). O gasto total com a medicação de uma população cada vez mais infeliz atingiu €152 milhões no ano passado.

Em seguida, é revelado que o número de pacientes hospitalares ‘prontos para alta, mas sem lugar para ir’ aumentou em 20% este ano. Os ‘bloqueadores de leitos’, como são depreciativamente chamados, são mais um sinal de um sistema de saúde/bem-estar que não consegue lidar com a demanda.

Por fim, ouvimos que 328 pessoas morreram nos últimos cinco anos à espera de cirurgias cardíacas. O problema, neste caso, é que simplesmente não há hospitais com a especialidade necessária para atender a demanda.

No contexto em que nenhum ministro da saúde recente deixou seu cargo sem um ‘escândalo’, essa é a realidade cotidiana de um sistema em dificuldades sob governos que sempre insistem que ‘as pessoas vêm em primeiro lugar’.

Há boas notícias? Sim! Começando pelo aumento no uso de medicamentos psicotrópicos, que está ligado à diminuição das prescrições de benzodiazepínicos (medicamentos potencialmente viciantes associados à deterioração cognitiva). A psiquiatra Ana Matos Pires, da Coordenação Nacional de Políticas de Saúde Mental, informou à Lusa que o aumento nas prescrições de psicotrópicos pode indicar que mais pessoas estão sofrendo, mas também pode mostrar que os profissionais estão diagnosticando e tratando doenças mentais graves de forma mais rápida.

A diminuição nas prescrições de benzodiazepínicos é particularmente “uma boa notícia” devido ao risco de dependência, disse ela.

Na opinião da profissional de saúde, os dados refletem uma maior conscientização sobre doenças mentais graves e a busca de ajuda mais precoce por parte das pessoas.

A psiquiatra relacionou essa tendência com reformas nos serviços e a expansão das equipes de saúde mental comunitárias, que “chegam até as pessoas mais rapidamente”.

Portanto… há esperança de certa forma, embora as farmácias tenham distribuído cerca de 80.000 unidades de medicamentos psicotrópicos POR DIA no continente português no ano passado — totalizando 29,4 milhões ao longo do ano.

O presidente eleito da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Albino Oliveira-Maia, também destacou que o aumento no número de residentes e turistas “inevitavelmente aumentou a demanda” por esses medicamentos, enquanto Miguel Ricou, presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde da Associação Portuguesa de Psychólogos, acredita que é necessário um maior investimento em psicoterapia.

“O aumento (no consumo) mostra claramente a dificuldade de acesso a tratamentos alternativos de saúde mental”, afirmou ele, acrescentando que o acesso limitado a psicólogos e psiquiatras “muitas vezes leva os médicos de família a prescrever medicamentos psicotrópicos como resposta primária”.

No que diz respeito aos bloqueadores de leitos, há pouco a relatar ‘positivo’. A ‘crise’ custa ao SNS cerca de €350 milhões por ano, e a menos que novos investimentos sejam feitos em ‘serviços de cuidado domiciliar’, ela persistirá.

Entretanto, o problema das cirurgias cardíacas parece ter uma solução. A Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, está pressionando para que o Hospital Santo António, no Porto, seja reconhecido como um centro para implantações transcateter aórticas — um dos procedimentos com mais pacientes na lista de espera.

“Este governo não está satisfeito com o que está acontecendo. Estamos aqui para salvar vidas”, disse ela. Os planos envolvem firmar acordos para pagar hospitais privados a fim de ajudar a reduzir os backlog — como acontecia em governos anteriores. O único ‘problema’ com esses acordos no passado eram os pagamentos: o estado demorava a quitar o que devia, e isso causava restrições tanto nos sistemas privado quanto público.

Fonte: LUSA/ Correio da Manhã/ Diário de Notícias

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