Em uma semana em que relatórios destacaram o número de famílias e empresas ainda esperando (em alguns casos, aparentemente desesperadamente) por apoio financeiro muito necessário como resultado da sequência de tempestades do inverno passado, a Lusa traz uma nova perspectiva. De acordo com Ribau Esteves, presidente da CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional), muitos dos pedidos de ajuda – especialmente os relacionados a casas danificadas nas tempestades – apresentaram “níveis excessivos de fraude”.
Participando hoje de uma comissão de inquérito parlamentar, Ribau Esteves insistiu: “Ninguém está dando desculpas, muito menos eu como presidente da CCDR. (Mas) estamos constatando que há um número surpreendente de cidadãos que estão falsificando declarações para tentar acessar benefícios aos quais não têm direito. Isso é o que está acontecendo…”
Ou seja, a inferência é que os atrasos na concessão de auxílio às pessoas se devem à atenção aos detalhes exigida pelas autoridades, tentando garantir que tudo esteja ‘em conformidade’.
Um ex-prefeito de Aveiro, Ribau Esteves acrescentou que, ao final desse processo (de concessão de apoio financeiro), “as falsificações mais exageradas serão encaminhadas ao Ministério Público”. Gerir dinheiro público a ser concedido a entidades privadas é um processo que requer “grande rigor”, disse ele à comissão.
Dos pedidos rejeitados, Ribau Esteves enfatizou que alguns foram porque as pessoas estavam tentando reivindicar dinheiro para reparos em ‘segundas residências’ (quando está claramente estipulado que o apoio financeiro é apenas para residências primárias).
Ribau Esteves também trouxe uma nova perspectiva sobre o conceito de “atraso”, afirmando que não usa essa palavra, porque mesmo que todos os pedidos fossem processados e todos os pagamentos realizados, “o país não tem a capacidade técnica, nem os recursos humanos ou os meios, para reparar tudo que precisa ser reparado nos próximos dois a três anos.”
Fonte: LUSA
