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No dia 22 de Junho, a urgência e a intensa dinâmica do Benfica desde o apito inicial em Famalicão foram claras, como se quisessem resolver tudo antes que o jogo pudesse equilibrar-se. Nos primeiros momentos, a intensidade dos encarnados parecia indicar um desfecho tranquilo, mas o futebol raramente se decide logo nos impulsos iniciais. Do outro lado, um Famalicão calmo e confiante começou a ganhar vitalidade, sustentado por uma longa série de bons resultados, medindo forças com um ‘grande’ sem receios e com a certeza de quem acredita no seu caminho. E, quando o apito final soou, a diferença era visível: a energia inicial do Benfica foi esmorecendo, resultando em uma saída de campo cabisbaixa, com um resultado que não só é insatisfatório, mas que também acirra a disputa com o Sporting por um lugar na Champions League.
José Mourinho optou pelo trio de meio-campo mais dinâmico dos encarnados, visando estabelecer uma pressão elevada na primeira fase de construção do Famalicão e ter jogadores que pudessem igualar a mobilidade dos atletas da casa. Com Aursnes encarregado de marcar Gustavo Sá, o Benfica conseguiu forçar o Famalicão a sair pelo lado esquerdo, alternando entre Ríos realizando pressão e Barreiro recuando para cobrir a linha de Van de Looi. Assim, anularam duas das principais armas da equipe de Hugo Oliveira: os apoios frontais de Gustavo Sá e os passes longos em diagonal que buscavam a velocidade de Sorriso. Asfixiado pela intensidade da pressão, o Famalicão acabou por conceder um pênalti na saída de bola, convertido por Andreas Schjelderup.
Franjo Ivanovic foi novamente chamado ao onze inicial, aproveitando o momento difícil de Pavlidis e dando continuidade a uma série de boas atuações após ter passado grande parte da temporada na sombra do atacante grego. O croata trouxe um nível de intensidade defensiva e uma verticalidade que mais nenhum avançado do Benfica pode oferecer. Na movimentação sem bola, Ivanovic tende a ocupar os corredores laterais, abrindo espaço para as investidas de Barreiro e permitindo que Prestianni atue em zonas mais centrais.
Na primeira fase de construção do Benfica, Aursnes recuava para formar uma linha de três com Otamendi e António Silva, liberando Amar Dedic na largura do corredor direito e com Dahl a oferecer opções por dentro. Esta organização favoreceu Schjelderup, que esteve na origem da maioria das oportunidades criadas na primeira parte. O jovem de 21 anos demonstrou novamente seu talento no um contra um, superando Rodrigo Pinheiro em vários duelos. No lance do segundo gol, o norueguês driblou Justin de Haas, atraiu a pressão de mais dois adversários e encontrou Richard Ríos em espaço, que finalizou de forma forte, com a bola desviando em Realpe e enganando Carevic.
Com 2-0 no placar, o ritmo do jogo diminuiu, mas o Benfica ainda criou algumas chances, aproveitando erros do Famalicão. Contudo, o primeiro momento que alterou completamente o estado mental das duas equipes aconteceu aos 33 minutos, quando um pênalti claro a favor das águias ficou por marcar. O que poderia ser o gol que, em princípio, fechava o jogo tornou-se um impulso de confiança para o Famalicão. Já perto do intervalo, eles criaram a melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos com um remate de meia distância de Gil Dias, facilmente defendido por Trubin.
No início da segunda parte, Nicolás Otamendi foi expulso por uma entrada dura sobre Mathias de Amorim. Com um a menos, José Mourinho colocou Enzo Barrenechea ao lado de António Silva e recuou as linhas do Benfica. Esta estratégia provou-se prejudicial ao técnico, visto que ainda havia mais de meia hora de jogo. Com um central adaptado na defesa e a entrada de Abubakar no ataque do Famalicão, a equipe da casa ganhou uma clara vantagem física e no jogo aéreo. Essas se tornaram as armas que tentaram usar, aumentando a largura e apostando em cruzamentos.
Em um momento de brilhantismo, Mathias de Amorim encontrou espaço nas costas da defesa do Benfica, driblou Barreiro com uma recepção habilidosa e rematou forte, relançando o Famalicão no jogo. Este gol confirmou a tendência que se formou após a expulsão e, ao contrário do esperado, o Benfica manteve uma postura defensiva, posicionando-se muito recuado. Após um escanteio, o internacional sub-21 encontrou novamente espaço na lateral e assistiu Abubakar, capitalizando o posicionamento infeliz de Trubin, que não acompanhou a linha defensiva, levando ao empate. Já perto dos 100 minutos, o Famalicão quase conquistou os 3 pontos, mas o poste impediu o que seria um candidato a gol do ano de Rodrigo Pinheiro.
Com o empate, o Benfica apagou qualquer vestígio de esperança na conquista do título e complicou as contas para o segundo lugar da Primeira Liga, que garante a tão almejada qualificação para a Champions League. Após um início fulgurante, as águias se retraíram em demasia após a expulsão, e a coragem do Famalicão foi recompensada. A equipe de Hugo Oliveira completa, assim, uma sequência invicta de 10 jogos, consolidando sua posição no quinto lugar, que assegura um lugar na Conference League. Com princípios claros, mas difíceis de parar, o Famalicão chega à reta final da temporada em grande forma. Em contrapartida, o Benfica perde a confiança que vinha construindo nos últimos jogos e ainda fica sem Otamendi e Ríos para a exigente visita a Braga.
bNR NA cONFERÊNCIA DE iMPRENSA
Bola na Rede: O Famalicão foi condicionado a jogar pela esquerda pela pressão do Benfica, limitando as ações de Gustavo Sá e oferecendo uma oportunidade para Mathias de Amorim ganhar protagonismo no meio-campo. O que você pediu a Mathias taticamente antes e depois da expulsão e como você avaliou seu desempenho?
Hugo Oliveira: Acredito que foi uma exibição excepcional do Mathias de Amorim. Temos a capacidade e soluções diferentes para sair pela esquerda e pela direita, mesmo com funções e posicionamentos semelhantes. O Benfica pressiona com um dos médios que está atrás, seja Aursnes ou Ríos, ou então faz recuar o Barreiro quando pressiona com o atacante. Queríamos aproveitar essa mudança de posicionamento que o Benfica faz, e sabíamos que um dos lados teria mais espaço. Foi o Mathias quem encontrou espaço desse lado. Queríamos criar largura em alguns momentos para tirar proveito desse espaço. Mesmo assim, no primeiro tempo, eles foram rápidos na pressão e nos condicionaram. Na segunda parte, ajustamos um pouco o posicionamento dele; ele recuou para buscar a bola. E então ele se destacou, fez um gol maravilhoso e uma assistência para o segundo gol. Um jovem que está a despontar e que continuará a mostrar seu valor neste projeto. Hoje é um, amanhã é outro. Mas, acima de tudo, há um forte sentimento coletivo e uma grande determinação. Esta partida demonstra nossa alma após jogos complicados contra Braga e FC Porto, em que estávamos atrás e conseguimos retornar. Apenas uma equipe com muita garra, que acredita no que faz, que mantém uma atitude positiva e trabalha arduamente, pode concluir isso. Os torcedores também nos contagiam com essa atitude, e seguimos juntos. Ainda há muito pela frente… precisamos trabalhar durante a semana e jogar no fim de semana.
