Paulo Núncio rejeita a ideia de OE2026 como um orçamento de fim de festa

Paulo Núncio rejeita a ideia de OE2026 como um "orçamento de fim de festa"

O deputado centrista não se alinha no “pessimismo reinante” em relação à economia nacional e destaca que o país está a crescer “bem acima da média europeia” e ocupa uma “posição invejável do ponto de vista da consolidação das contas públicas e na redução da dívida pública”.

“Se o Orçamento do Estado para 2026 fosse um orçamento de fim de festa, certamente as agências de rating [a Fitch e a Standard & Poor’s] não continuariam a melhorar o rating da República”, defendeu esta terça-feira o deputado do CDS e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, durante uma conferência promovida pelo Jornal Económico e pela EY Portugal, em Lisboa.

Contrariando o “pessimismo reinante”, e respondendo às críticas do diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), Óscar Afonso, que afirmou que o orçamento foi “pensado para o curto prazo e não resolve o longo prazo”, o centrista assinalou que Portugal continua a ter crescimentos económicos “bem acima da média europeia” e uma “posição invejável do ponto de vista da consolidação das contas públicas e na redução da dívida pública”.

“Pergunto que países vão ter uma dívida pública em 2026 abaixo de 90%? Quantos países, em 26, vão ter um excedente orçamental? Isso deu muito trabalho e resultou de medidas muito difíceis que foram tomadas após a crise de 2011; esse caminho tem sido feito. E o Governo tem chegado a estes resultados, ao mesmo tempo que reduz impostos, inclusive o IRC”, sustentou o vice-presidente do CDS.

Num painel que incluiu Miguel Costa Matos, deputado do PS, e Eduardo Teixeira, do Chega, moderado pelo diretor do Jornal Económico, André Macedo, Paulo Núncio rejeitou a ideia de que a proposta de Orçamento do Estado do Governo tenha um pendor socialista, considerando tal juízo uma “dúvida provocatória”. Afirmou que este é um “bom orçamento” que “vai no caminho certo”.

Essencialmente por três razões: porque “reflete a redução de impostos, designadamente do IRS e do IRC, que são feitas fora do orçamento, como é boa prática – um OE deve ser um documento que prevê receitas e despesas para aquele ano, não deve ser um documento onde se façam reformas, designadamente fiscais”;

Em segundo lugar, é um “OE com forte preocupação social”, já que “aumenta o Complemento Solidário para Idosos (CSI) e prevê a possibilidade de um novo suplemento extraordinário de pensões (…);

Em terceiro lugar, porque “aponta para um excedente orçamental, o que significa que, se ocorrer, Portugal terá o terceiro excedente consecutivo pela primeira vez na história da democracia portuguesa”. Isso, frisou Núncio, “para a esquerda era uma exceção, mas para a direita é regra”.

O OE2026 prevê, para este ano, um crescimento económico de 2%, um excedente orçamental de 0,3% e uma redução da dívida pública para perto de 90%. Quanto ao próximo ano, estima-se um crescimento económico de 2,3%, um excedente orçamental de 0,1% e uma dívida pública perto dos 88%, devendo ficar abaixo dos 90% do PIB pela primeira vez desde 2009.

O debate na generalidade da proposta de Orçamento para 2026, no Parlamento, está agendado para os dias 27 e 28 de outubro. O processo na especialidade, em plenário, inicia-se no dia 20 de novembro, e a votação final global está prevista para 27 de novembro. O PS anunciou, na semana passada, que vai optar, pelo menos na primeira votação, por uma “abstenção exigente”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Sintraweb.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.