Presidente do Tribunal Constitucional anuncia renúncia

Presidente do Tribunal Constitucional anuncia renúncia


O presidente do Tribunal Constitucional, José João Abrantes, anunciou hoje a sua decisão de renunciar ao cargo de juiz do tribunal, com efeito a partir do momento em que seu sucessor assumir o cargo.

Abrantes, professor na NOVA School of Law de Lisboa e especialista em direito do trabalho, justificou sua decisão com razões “pessoais e institucionais”. Ele atuou como juiz no tribunal desde julho de 2020 e foi eleito presidente em 26 de abril de 2023.

Com este anúncio, o parlamento deve eleger quatro novos juízes para o Tribunal Constitucional, para substituir José António Teles Pereira e Gonçalo Almeida Ribeiro, que se demitiram após mais de nove anos de serviço, a juíza Joana Fernandes Costa, que também atuou por mais de nove anos, e atrásra José João Abrantes.

“Informei à sessão plenária do Tribunal minha renúncia aos cargos de Presidente e Juiz do Tribunal Constitucional, com efeito a partir da data em que o juiz eleito pelo parlamento assumir para preencher a vaga atrásra criada”, explica José João Abrantes em um comunicado à imprensa, afirmando ter decidido renunciar ao seu cargo “com um senso de responsabilidade e de acordo com as práticas estabelecidas que contribuíram para a estabilidade institucional do Tribunal”.

Abrantes justificou o momento de seu anúncio, afirmando que postergou a renúncia formal para evitar a convocação de uma eleição de liderança enquanto quatro juízes estavam prestes a deixar o cargo, acrescentando que seria irresponsável deixar o tribunal com apenas dez juízes ou eleger um novo presidente.

Abrantes também citou a importância das revisões constitucionais em andamento e dos processos eleitorais na determinação do momento mais apropriado para sua saída.

Ao adiar sua renúncia, Abrantes evitou uma votação imediata para um novo presidente, garantindo assim que a eleição ocorresse apenas após a posse dos novos juízes.

De acordo com a lei, um voto secreto é utilizado para eleger o presidente e o vice-presidente do Tribunal Constitucional para um mandato de quatro anos e meio.

Os juízes do Tribunal Constitucional são nomeados por um mandato de nove anos e deixam o cargo apenas quando seu sucessor é empossado.

No início de abril, o PSD (Partido Social Democrata) anunciou que havia concordado com o PS (Partido Socialista) em adiar a eleição de novos juízes do Tribunal Constitucional até maio, antecipando a possibilidade de ter que substituir outro juiz.

Com a composição parlamentar resultante das eleições gerais de maio de 2025, é necessário uma maioria de dois terços (154 deputados de um total de 230) para eleger novos juízes. No entanto, nenhum partido atualmente possui assentos suficientes para alcançar esse limiar sozinho, exigindo um acordo entre pelo menos três forças políticas.

Embora o PSD tenha considerado anteriormente um acordo com o CHEGA para preencher três vagas, o PS advertiu que ser excluído do processo de nomeação representaria uma ruptura política.

O Tribunal Constitucional é composto por 13 juízes, dos quais 10 são nomeados pelo parlamento e os outros três são cooptados pelo anterior; destes, seis devem ser escolhidos entre juízes de outros tribunais e o restante entre especialistas em direito.

Fonte: LUSA

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