A greve efetiva de nove dias convocada pela AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo – não é exatamente o que se esperava.
A maioria dos postos está aberta, mas o trabalho está avançando ainda mais lentamente do que o habitual, uma vez que “muitos trabalhadores” aderiram ao primeiro dia oficial da greve (1 de junho), e presumivelmente eles continuarão com a greve até o final da semana (a quinta-feira, 4 de junho, sendo feriado).
Manuela Niza, presidente do Sindicato dos Técnicos em Migração – que convocou a greve – diz à Lusa: “Qualquer greve tem que prejudicar aqueles que atendem, mas as pessoas que atendemos já estão suficientemente prejudicadas. Por isso, optamos por uma greve de uma semana para que não houvesse um fechamento total das estações de trabalho.”
Niza admitiu, no entanto, que pode haver fechamentos na sexta-feira – e informou à Lusa que o principal objetivo desta greve é “chamar a atenção do público para os problemas enfrentados pela AIMA”, o que, segundo ela, já foi alcançado.
Conforme explica Manuela Niza, a AIMA é uma estrutura que “mal funciona, devido a questões de gestão e organização.”
Há uma escassez de pessoal, e aqueles que ainda trabalham (e não saíram por vontade própria) estão “exaustos e desmotivados”, porque “não são cuidados, nem valorizados.”
Os trabalhadores sentem “uma pressão imensa” para responder àqueles que os procuram, mas “o sistema é projetado para não produzir resultados,” enfatiza. Acrescente-se a isto o fato de que as condições de trabalho são “miseráveis”: há instalações onde a AIMA atende o público “sem água” para visitantes ou trabalhadores; outros locais onde “ou se morre de frio, ou se morre de calor”; outros onde “os tetos estão caindo,” e vários com computadores que não funcionam mais.
Este é o cerne da semana de protesto da AIMA (acompanhada por dois finais de semana): os funcionários querem reconhecimento de carreira (como ‘técnicos em migração’) e, na ausência disso, desejam o que foi prometido pelo primeiro governo de Luís Montenegro – um subsídio especial para trabalhadores nesta área – além do treinamento necessário para novos membros da equipe, para que eles não cheguem despreparados e cometam os tipos de erros grosseiros que depois são divulgados na imprensa.
Em resumo, Niza critica o fato de que a migração é usada como uma “arma política, sendo vista como um ativo tóxico” por pessoas que esquecem que, no final, o que está em jogo são as vidas “de pessoas, muitas delas crianças.”
A greve da AIMA começou hoje e continuará na terça, quarta e sexta-feira, como parte da luta por melhores condições de trabalho e pelo funcionamento dos serviços, “incapazes de proporcionar uma resposta rápida aos processos de regularização.”
O uso de serviços externos para funções técnicas altamente complexas é outra preocupação dos trabalhadores, que lamentam a “deterioração da imagem institucional da AIMA,” escreve a Lusa.
Fontes: SIC Notícias/ LUSA
