A rede de tráfico de cannabis medicinal usou lacunas da Infarmed, alegam os procuradores

A rede de tráfico de cannabis medicinal usou lacunas da Infarmed, alegam os procuradores


Uma rede criminosa supostamente explorou as fraquezas no sistema de licenciamento de cannabis medicinal em Portugal para desviar toneladas de cannabis para o mercado negro, de acordo com os promotores que investigam um dos maiores casos de tráfico de drogas do país.

O esquema, descoberto durante a Operação Erva Daninha, envolvia um empresário do setor farmacêutico português e um advogado, ambos acusados de tráfico de drogas, associação criminosa e falsificação de documentos.

Segundo os detalhes da acusação reportados pelo Jornal de Notícias, a organização estava operando em Portugal desde 2020 e estava ciente das vulnerabilidades nos sistemas de monitoramento e controle supervisionados pela Infarmed, a autoridade de medicamentos e produtos de saúde de Portugal.

Os promotores alegam que o grupo utilizou essas fraquezas para obter licenças para a produção, importação e exportação de cannabis medicinal, antes de desviar quantidades substanciais da droga para mercados ilegais na Europa e África.

A investigação culminou em uma série de buscas realizadas há cerca de um ano, durante as quais as autoridades apreenderam mais de sete toneladas de cannabis e aproximadamente €400.000 em dinheiro.

A escala das apreensões reforçou as suspeitas dos investigadores de que o setor de cannabis medicinal regulado em Portugal havia sido usado como uma cobertura para operações de tráfico internacional.

Segundo a acusação, os membros da organização falsificaram certificados de importação de países como Guiné-Bissau, República do Congo e Quênia. Os documentos fraudulentos teriam permitido que remessas de cannabis deixassem Portugal evitando a fiscalização das autoridades aduaneiras e de aplicação da lei.

As autoridades afirmam que a documentação falsificada possibilitou que a rede criasse a aparência de exportações legítimas destinadas a mercados autorizados, enquanto, na realidade, a cannabis estava sendo direcionada para redes de distribuição ilegais no exterior.

No total, 24 réus foram acusados em conexão com o caso. Entre eles estão indivíduos e empresas envolvidas na produção, importação e exportação de cannabis medicinal em Portugal.

O caso levanta novas questões sobre a supervisão dentro de uma das indústrias de cannabis medicinal que mais cresce na Europa. Portugal tornou-se um importante centro para cultivo e exportação de cannabis nos últimos anos, atraindo investimentos estrangeiros significativos devido ao seu clima favorável e estrutura regulatória.

Embora o país permita o cultivo e a exportação de cannabis medicinal sob regras de licenciamento rigorosas, o uso recreativo permanece ilegal, tornando o monitoramento eficaz essencial para impedir desvios para mercados ilícitos.

As alegações não dizem respeito à indústria de cannabis medicinal mais ampla, que opera sob supervisão regulatória, mas os promotores argumentam que o caso destaca a importância de controles e procedimentos de verificação robustos.

Se condenados, os réus poderão enfrentar penas de prisão substanciais por crimes como tráfico internacional de drogas, participação em organização criminosa e falsificação de documentos.

A investigação permanece como uma das mais significativas já realizadas no setor de cannabis medicinal em Portugal.

Fonte: Jornal de Notícias/SIC Notícias

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