MADRID, 16 de dezembro. (EUROPA PRESS) –
As autoridades de Portugal libertaram um homem próximo ao ex-presidente da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló, deposto há menos de um mês em um golpe militar no país africano, após sua detenção no domingo em Lisboa sob suspeitas de contrabando e lavagem de dinheiro.
Fontes da Polícia Judiciária citadas pela agência portuguesa de notícias Lusa indicaram que o detido, cuja identidade não foi divulgada, foi preso no aeroporto militar Figo Maduro em Lisboa após serem encontrados cerca de cinco milhões de euros em dinheiro em sua bagagem.
A Polícia Judiciária explicou que a detenção resultou de uma denúncia referente aos passageiros do voo e ao suposto desvio de fundos da Guiné-Bissau, destacando que o detido era “um estrangeiro” que chegara do país africano e era “suspeito de lavagem de dinheiro”.
No entanto, essa pessoa foi finalmente libertada sem comparecer a um tribunal, apesar de ter sido antecipado que teria que fazê-lo para avaliar se era necessário aplicar alguma medida contra o suspeito, que se expunha a uma pena de até cinco anos de prisão caso fosse declarado culpado de lavagem.
Diversos meios de comunicação portugueses indicaram no domingo que no voo que chegou ao aeroporto militar de Figo Maduro também viajava a antiga primeira-dama da Guiné-Bissau e esposa de Embaló, que foi brevemente detida após a ação e posteriormente liberada, o que lhe permitiu sair do país, com destino a Marrocos, após passar por Senegal e República do Congo.
O golpe, liderado por Horta N’Tam, ocorreu em meio a tensões decorrentes das eleições presidenciais de novembro, nas quais tanto o presidente quanto o principal candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reivindicaram sua vitória antes do anúncio dos resultados, cuja publicação foi suspensa em razão da ação militar.
A junta militar anunciou na semana passada a composição do novo órgão legislativo, após revelar o novo governo e a adoção da Carta Política de Transição, que estabelece o processo de transição e prevê a criação desse órgão como uma instituição política responsável pelo diálogo nacional e pela revisão das ações das novas autoridades.
A Carta Política de Transição suspende a Constituição vigente até então no país africano, estabelece um período de transição de doze meses e proíbe o presidente e o primeiro-ministro de transição de se candidatar nas eleições ao final desse processo, apesar das críticas internacionais e regionais e dos apelos ao retorno da ordem constitucional.
