Miguel Sousa Tavares expressa suas dificuldades em desvincular o caso de exploração laboral e escravatura de migrantes em Beja, que resultou na detenção de dez militares da GNR, do discurso de André Ventura contra os imigrantes. Em sua coluna na TVI, ele ressalta que é complicado não associar o discurso de extrema-direita, especialmente o de Ventura contra os imigrantes, com os elogios que ele faz às forças de autoridade. Tavares mencionou a manifestação de policiais em frente à Assembleia da República como exemplo: “André Ventura foi como que dizendo ‘estou ao vosso lado, por mim podem fazer o que quiserem’.”
“André Ventura está conscientemente fomentando um sentimento de ódio contra os imigrantes, que é completamente descabido do ponto de vista econômico-social, mas também está criando uma sensação de impunidade entre alguns membros das forças de segurança”, destaca ele.
No que diz respeito ao caso de exploração de migrantes em Beja, onde há militares da GNR envolvidos, o comentador observa: “Eu não acredito que as pessoas não soubessem disso, nem os comandantes da GNR que estão próximos destes dez soldados, nem os proprietários dos terrenos onde estes escravos trabalhavam sob proteção policial.”
Miguel Sousa Tavares defende que o comando nacional da GNR deve “agir imediatamente”, pois “já possui dados suficientes”, e vai além: “Esse caso é de uma gravidade extrema, é algo que exige a intervenção direta do primeiro-ministro e do Presidente da República para que não fique em águas de bacalhau.”
Refletindo sobre as polêmicas recentes, que vão desde a médica campeã do uso de Ozempic até os militares detidos, o comentador afirma que “de repente, parece que os valores essenciais da vida em sociedade se perderam.”
