2025: O Ano da Indecisão Política sobre a Natureza

2025: O Ano da Indecisão Política sobre a Natureza


O balanço ambiental de 2025 exige uma visão além da política diária, incorporando uma compreensão econômica mais profunda. Cinco anos após o lançamento do Pacto Ecológico Europeu, a promessa de uma Europa neutra em carbono enfrenta tensões políticas e econômicas que precisam de solução urgente. A Europa tem alternado entre metas ambiciosas e retrocessos normativos, prejudicando sua credibilidade e capacidade de liderança, o que impacta diretamente a competitividade e a prosperidade econômica a longo prazo.

Este ano destacou a incongruência de medir o sucesso apenas pelo PIB, como aponta o relatório Global Environment Outlook 7 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA). O estudo alerta que o foco exclusivo no PIB, sem considerar a saúde humana, o capital natural e as externalidades ecológicas, perpetua um modelo insustentável e obstrui a transição econômica efetiva. O PNUA enfatiza que métricas mais abrangentes podem ajudar as sociedades a reorientar seus sistemas econômicos em direção à circularidade, descarbonização e restauração ecológica, ações que, a longo prazo, podem gerar benefícios macroeconômicos globais de até 20 trilhões de dólares.

Simultaneamente, o relatório Reboot Development: The Economics of a Livable Planet do Banco Mundial revela que a degradação da terra, água e ar não é apenas uma questão ambiental, mas um risco econômico claro. O estudo evidencia que a saúde desses sistemas naturais influencia a prosperidade tanto quanto a infraestrutura física, e o investimento na natureza sustentável pode criar empregos, resiliência e um crescimento econômico mais robusto. Hoje, mais de 90% da população mundial vive em áreas afetadas pela degradação do solo, poluição do ar ou estresse hídrico, o que reduz a produtividade e atrasa o crescimento econômico.

Na Europa, apesar dos avanços normativos do Pacto Ecológico, 2025 evidenciou contradições marcantes: a redução do status de proteção do lobo, o adiamento de medidas como o Regulamento Anti-Desflorestação da União Europeia, e a tentativa de diluir fundos ambientais em instrumentos econômicos voltados para outras prioridades enfraquecem ainda mais a transição ecológica. Contudo, o início da formulação dos Planos de Restauro pelos estados-membros e a resistência de vários grupos políticos no Parlamento Europeu a cortes drásticos nos fundos ambientais demonstram um desejo por resistência a retrocessos.

Em Portugal, essa dinâmica reflete o dilema: sinais de desinvestimento na conservação da natureza contrastam com compromissos de cofinanciamento para projetos de restauração de ecossistemas e os primeiros passos em direção ao greening finance. A inclusão de Organizações Não-Governamentais de Ambiente no Comitê de acompanhamento do Plano Nacional de Restauro e a promessa de novas Áreas Marinhas Protegidas mostram que existem oportunidades para avanços, desde que acompanhados de governança e recursos financeiros e humanos adequados.

E quanto a 2026? A tendência aponta para uma intensificação do debate que (des)une ecologia e economia. A pressão para incorporar métricas além do PIB nas decisões políticas e econômicas precisa ganhar força. É urgente internalizar os custos ecológicos nos modelos econômicos e mobilizar investimentos que fortaleçam a resiliência dos sistemas naturais. Portugal tem a oportunidade de liderar dentro desse contexto, alinhando políticas nacionais a uma visão econômica que reconheça o capital natural como um capital econômico real.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Sintraweb.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.