Em 12 de dezembro de 2015, quase todos os países do mundo aprovaram o Acordo de Paris durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP21), realizada na França, encerrando um processo que começou 27 anos antes.
Em 12 de dezembro de 2015, quase todos os países do mundo aprovaram o Acordo de Paris na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP21), na França, culminando um caminho que começou 27 anos antes, mas que ficou aquém das expectativas. O Acordo de Paris sobre o clima, um documento sem precedentes e uma referência na luta contra as alterações climáticas, foi o resultado de inúmeras decisões e de mais de vinte COPs, as reuniões anuais da ONU sobre o tema.
Alguns dos momentos importantes na trajetória rumo ao Acordo de Paris, assinado há 10 anos, incluem:
1988: Sob a égide da ONU, é criado o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), um grupo de especialistas que se encarrega de sintetizar e apresentar relatórios sobre os conhecimentos científicos sobre as mudanças climáticas. Até o Acordo de Paris de 2015, o IPCC publicaria cinco relatórios.
1990: O primeiro relatório do IPCC revela que os gases de efeito estufa (GEE) provenientes das atividades humanas estão aumentando e contribuindo para o aquecimento global.
1992: O Rio de Janeiro sedia a Cúpula da Terra, também conhecida como ECO92, o primeiro grande encontro mundial sobre mudanças climáticas. Nesse evento, várias convenções são criadas, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), que organiza anualmente uma Conferência das Partes (COP) para avaliar o progresso no combate às alterações climáticas e estabelecer prioridades. A UNFCCC entrou em vigor em 1994, e em 1995 foi realizada em Berlim a primeira COP, reunindo todos os países da UNFCCC, totalizando 195, além da União Europeia (UE).
1997: Na COP3, realizada no Japão, é adotado o Protocolo de Quioto, que impõe aos países industrializados a redução de suas emissões de GEE em 5,2% até 2012 em relação a 1990. Este protocolo não se aplica a grandes economias emergentes, como China, Índia e Brasil. Na época, os Estados Unidos, maior poluidor do planeta, não ratificam o protocolo.
2005: Em fevereiro, o Protocolo de Quioto entra em vigor. Em novembro, a COP11 em Montreal coloca o protocolo em prática, permitindo a criação de mercados de carbono.
2006: A China se torna o principal emissor de dióxido de carbono (CO2) do mundo, superando os Estados Unidos, à frente da UE, Índia, Rússia e Japão.
2007: O quarto relatório do IPCC declara que o aquecimento planetário em curso é “irrefutável” e “inequívoco”, prevendo a multiplicação de fenômenos climáticos extremos e um aumento significativo do nível médio do mar nas próximas décadas até o final do século XXI. Em outubro, o IPCC recebe o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore.
2009: A COP15, realizada em Copenhague, não consegue garantir um acordo global, mas aprova um texto que estabelece como meta limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus Celsius em relação à era pré-industrial, embora seja vago quanto aos meios para alcançar esse objetivo. O encontro prevê um auxílio financeiro de 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para apoiar as políticas climáticas dos países mais pobres.
2010: A COP16 no México propõe a criação de um “Fundo Verde” para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar o aquecimento, mas a questão do financiamento ainda permanece sem resolução.
2011: A COP17, realizada na África do Sul, aprova os mecanismos de funcionamento do “Fundo Verde”, renova o Protocolo de Quioto e estabelece um roteiro para um novo pacto global de combate às alterações climáticas, com metas para 2020, que será aprovado em Paris.
2014: O quinto relatório do IPCC prevê um aumento global das temperaturas entre 3,7 e 4,8ºC até o final do século, em comparação a 1850-1900, se não forem tomadas medidas para reverter essa tendência. Durante a COP de Lima (Peru), complexas negociações estão em andamento para redigir um projeto de texto com o objetivo de um acordo em dezembro de 2015, para substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020.
30 de novembro de 2015: Início da COP21 em Le Bourget (norte de Paris), com a meta de fechar o primeiro acordo global que vincula todos os países a combater o aquecimento global, limitando as emissões de GEE. Uma cúpula excepcional com 150 chefes de Estado e de Governo marca o início da conferência.
12 de dezembro de 2015: O Acordo de Paris é adotado, prevendo limitar o aumento da temperatura do planeta a “bem menos de 2ºC” e, de preferência, não ultrapassar 1,5ºC, além de uma revisão obrigatória dos compromissos dos países a cada cinco anos e um apoio financeiro progressivo aos países do Sul.
