MADRID, 17 de Dez. (EUROPA PRESS) –
A Fiscalia de Portugal anunciou nesta quarta-feira que decidiu arquivar a investigação sobre a empresa familiar do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, ao concluir que “não existem indícios de atividade delituosa”, após este caso levar à queda do seu governo e à convocação de eleições antecipadas, nas quais a coalizão conservadora que ele liderava voltou a vencer.
“A partir das informações coletadas, chegou-se à conclusão de que não existiam indícios delituosos, nem perigo algum de sua ocorrência; também não foram reunidas provas de qualquer outro crime. Consequentemente, foi proferida uma resolução motivada para o arquivamento do caso”, diz um comunicado.
O Ministério Público explicou que em março foi iniciada uma investigação contra Montenegro, cujo “alcance se limitou ao que foi denunciado na mídia e reproduzido nas denúncias apresentadas”, que apontava para um possível conflito de interesses relacionado com a empresa Spinumviva, fundada pelo atual chefe de Governo quando estava fora da política e atrásra gerida por sua esposa e filhos.
Durante a investigação, a Fiscalia recebeu novas denúncias — que reproduziram notícias da mídia sobre a aquisição de duas propriedades em Lisboa pela família Montenegro, alegando que também poderia tratar-se de um conflito de interesses, e esses fatos passaram a fazer parte da pesquisa.
A notícia chegou a Montenegro em Bruxelas, de onde celebrou a conclusão do Ministério Público, embora tenha criticado que “fosse impulsionada uma investigação preventiva que, na prática, foi uma autêntica investigação penal, tal foi o alcance das ações realizadas e das provas consideradas”.
“Esperei por este dia com calma, com muita calma. É verdade que sofri vendo meus entes queridos sofrerem, mas tenho uma imensa calma. Hoje é o dia para dizer a eles que continuarei liderando o país com firmeza, com um espírito humanista e reformista”, disse em declarações que foram coletadas pela agência de notícias Lusa.
Além disso, lamentou que “todas as notícias e acusações que deram origem a esses procedimentos foram baseadas em insinuações, suspeitas e especulações às quais muitos se uniram e amplificaram voluntariamente no âmbito político e midiático”.
“E embora essas acusações não estivessem acompanhadas de provas suficientes e críveis, nem fundamentassem um raciocínio plausível, o certo é que as autoridades competentes e autônomas decidiram realizar uma investigação minuciosa sobre minha vida profissional e financeira e a de minha família, assim como sobre o correto exercício das minhas funções como primeiro-ministro”, lamentou.
