Milhares se reuniram em Lisboa ontem para participar da 27ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ (que reúne lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais e ‘outras identidades’).
Com a bandeira “sem silêncio, sem medo”, o evento animado se reuniu no Marquês do Pombal às 17h.
Ao som de tambores e outros instrumentos musicais, os participantes com faixas começaram sua marcha lenta pela avenida central.
As mensagens eram variadas, mas o foco estava em combater “os riscos de retrocessos”, explicam os relatos, incluindo a “ideologia” que busca revogar leis (sobre autodeterminação da identidade de gênero) implementadas em 2018.
Hélder Bértolo, do comitê organizador da Marcha do Orgulho, explicou: “Já houve uma tentativa no parlamento de revogar a Lei 38, de 2018”, que seria “o primeiro retrocesso desde 25 de abril”, destacou, referindo-se à ‘revolução’ de 1974 que derrubou décadas de ditadura.
A comunidade LGBTQIA+ já está “sentindo que uma série de direitos” está sendo “atacada”, disse Bértolo, assim, o momento de ontem foi uma oportunidade para os membros mostrarem sua resposta.
A Lusa relata que vários políticos de esquerda estavam presentes, incluindo o deputado do LIVRE, Paulo Muacho, que enfatizou que é “mais importante do que nunca participar da marcha este ano – e de todas as marchas do país – porque atrásra temos uma direita cada vez mais radicalizada; uma direita que está tentando remover os direitos das pessoas LGBT…”
Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, também esteve presente, lamentando o que chamou de “um governo com uma agenda conservadora; que faz guerra a todos os direitos sociais:
“Podemos ver isso em relação aos direitos das mulheres na Reforma Trabalhista; nos direitos dos trabalhadores em geral; na proibição de bandeiras, na forma como os direitos dos jovens LGBT estão retrocedendo nas escolas,” disse ela – sugerindo que a marcha de ontem mostrou que os manifestantes resistirão a essas mudanças.
O comitê organizador também afirmou em um comunicado que “a nova conjuntura política (…) colocou mais uma vez as pessoas e famílias LGBTQIA+ em perigo, com sinais de que conquistas das últimas décadas estão hoje em risco de retrocessos.
“Em um ano em que pessoas LGBTQIA+, especialmente pessoas trans e de gênero diverso, têm sido atacadas sem nenhuma vergonha, com tentativas de reverter direitos adquiridos, o que seria o primeiro retrocesso em Direitos Humanos desde 25 de abril, e em que, pela primeira vez em décadas, Lisboa não terá o Arraial Pride em junho, a importância desta manifestação é inegável e um símbolo de orgulho e luta para a comunidade, suas famílias e aliados,” acrescentou o comunicado.
Dezessete associações e coletivos participaram da marcha.
