Distrito de Coimbra abalado por ruídos altos, seguido de onda de choque

Distrito de Coimbra abalado por ruídos altos, seguido de onda de choque


Um barulho muito alto seguido de uma onda de choque, que durou apenas alguns segundos, ocorreu no final da manhã de ontem ao longo da costa do centro de Portugal, fazendo os telefones tocarem nas estações de bombeiros e na base da proteção civil local, e deixando comunidades de Figueira da Foz a Montemor-o-Velho perplexas.

A princípio, ninguém conseguiu encontrar uma explicação para o ocorrido.

Uma fonte da Proteção Civil Municipal de Figueira da Foz descartou todos os ‘prováveis’, incluindo a possibilidade de um estrondo sônico de uma aeronave militar. A fonte informou ao Público que a Força Aérea “não tinha relatórios sobre um avião ter sobrevoado a área” que ouviu e sentiu o fenômeno.

Mas 24 horas depois, uma das possibilidades (um avião militar quebrando a barreira do som) revelou-se exatamente o que ocorreu.

Em um comunicado, a Força Aérea atribuiu o barulho à “execução de uma missão operacional de aeronaves F-16M (…) na qual foi necessário quebrar a barreira do som.

“Esse tipo de atividade é essencial para garantir a prontidão e a eficácia dos recursos nacionais na salvaguarda do espaço aéreo, assegurando o controle da situação/atividade a todo momento,” acrescentou o comunicado, explicando que “sob certas condições atmosféricas, nomeadamente invernos térmicos ou variações na densidade do ar, pode haver uma maior propagação das ondas de choque, tornando o fenômeno mais audível e abrangente do que o esperado na superfície.”

Apesar do alarme inicial do público, não houve relatos de vítimas ou danos materiais. A Força Aérea também assegurou em seu comunicado que “não houve perigo para a população” em nenhum momento, descrevendo o episódio como “um incidente isolado resultante de operações essenciais para a segurança nacional e defesa”, reiterando o “compromisso permanente” da instituição com a defesa do espaço aéreo nacional e a segurança dos cidadãos.

Isso acalmou a todos? O veredicto ainda parece estar em aberto. Como alguém que respondeu à declaração da Força Aérea reclama: “A Força Aérea deveria explicar que esse tipo de treinamento deve ser realizado sobre o oceano, a uma certa distância e altitude, ou em áreas desabitadas fora desses parâmetros. Em áreas densamente povoadas, podem ocorrer quebras de janelas e/ou portas e, se isso acontecer, devem ser solicitadas compensações por danos.”

Outros simplesmente perguntam: ‘por que foi necessário quebrar a barreira do som?’

A suposta esclarecimento desse mistério gerou simplesmente outro…

Como tudo começou?

Um jornalista da agência de notícias Lusa escreveu que “às 12h37 de hoje (segunda-feira), no estacionamento externo de um shopping center na vila de Buarcos, Figueira da Foz, a agência Lusa testemunhou um barulho curto e surdo – semelhante a um trovão distante – mas claramente audível, imediatamente seguido por uma onda de choque que durou cerca de dois segundos, fazendo o chão tremer e as janelas do supermercado tremerem violentamente.”

Uma fonte do Serviço Municipal de Proteção Civil de Figueira da Foz – cuja base está localizada na parte leste da cidade, cerca de 2,6 km do mesmo shopping – confirmou o barulho e a onda de choque, mas disse que “as tentativas de identificar a origem do incidente até atrásra foram malsucedidas.”

A mesma fonte informou que os bombeiros não receberam nenhum chamado de emergência relacionado e também descartou a possibilidade de o barulho ser uma descarga elétrica: o céu estava limpo na hora e “não havia evidências de descargas elétricas em praticamente todo o continente.”

Em declarações feitas mais de três horas após o incidente, a mesma fonte também descartou a possibilidade, ventilada nas redes sociais, de que o barulho fosse proveniente de um jato de combate quebrando a barreira do som, ou uma possível explosão submarina – como as que ocorrem no leito do rio Mondego, próximo ao cais comercial, durante trabalhos de aprofundamento da foz do rio.

Segundo a fonte, relatos de pessoas que ouviram o barulho vieram de vilarejos no norte e nordeste do município de Figueira da Foz (como Quiaios ou Ferreira-a-Nova), Tocha (Cantanhede), e Bunhosa e Arazede (Montemor-o-Velho), entre outros locais.

Contactado pela Lusa, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) admitiu ter recebido várias ligações, principalmente de estações de bombeiros, esclarecendo, no entanto, que as estações da rede sismológica do continente – que, além de terremotos, podem às vezes identificar eventos não tectônicos – não registraram nada.

Em outras palavras, ninguém sabia o que tinha acontecido – até que a Força Aérea enviou seu comunicado, hoje, para as redações.

Fonte: Público/ Facebook/ Expresso

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