Municípios rejeitam Mapa Verde de energias renováveis do governo

Municípios rejeitam 'Mapa Verde' de energias renováveis do governo


Os municípios de Portugal já infligiram um golpe significativo na estratégia emblemática do governo para o planejamento de energias renováveis – lançada hoje, com as informações da agência de notícias estatal sendo mantidas ao mínimo.

A realidade, exposta por publicações mais voltadas para a conservação, é que o governo identificou mais de 1.300 áreas prioritárias para projetos solares e eólicos em todo o país – e enfatiza que essas áreas “não impedem o desenvolvimento de projetos de energias renováveis em outras partes do país”.

Em outras palavras, os líderes políticos do país estão apresentando um verdadeiro ‘festival de energias renováveis’ para investidores e desenvolvedores em potencial – e a associação nacional dos municípios portugueses (ANMP) já percebe os riscos que se aproximam.

Segundo o Público, esta manhã, a ANMP já emitiu “uma opinião amplamente negativa sobre as Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER), conhecidas como o “Mapa Verde”.

A ANMP levantou preocupações tanto sobre o conteúdo do plano quanto sobre a forma como o processo está sendo conduzido pelo governo e pela Estrutura Missionária para Aceleração das Energias Renováveis (EMER 2030).

A situação ameaça complicar os esforços de Portugal para acelerar a implantação de energias renováveis e cumprir metas ambiciosas sob seu Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), afirma o jornal.

A ANMP diz que as autoridades locais tiveram apenas 20 dias para avaliar o que é uma proposta altamente complexa – argumentando que o prazo impediu uma avaliação técnica aprofundada.

A associação também reclama que dados geográficos fundamentais e arquivos de mapeamento só foram disponibilizados em 15 de maio – pouco mais de duas semanas antes de os municípios terem que apresentar suas opiniões.

A liberação tardia de informações representou um grande obstáculo para fornecer uma avaliação informada do plano, acrescenta a ANMP.

Uma das críticas mais contundentes diz respeito ao que a ANMP descreve como a crescente dominância da política energética sobre o planejamento urbano local.

A associação alerta contra a “subordinação progressiva” do planejamento territorial aos objetivos de energias renováveis – argumentando que o agilizar de procedimentos de licenciamento não deve ocorrer às custas da autoridade municipal sobre o planejamento urbano e a gestão territorial.

Em outras palavras, a ANMP rejeita qualquer abordagem que enfraqueça os poderes de decisão local, mesmo que disfarçada como uma forma de ‘acelerar a transição energética e aumentar a confiança dos investidores’.

Os líderes municipais também alertaram contra tratar a terra principalmente como uma plataforma para infraestrutura energética – levantando preocupações sobre o impacto de grandes desenvolvimentos de energias renováveis nas florestas, agricultura, turismo e biodiversidade.

A ANMP expressou preocupação particular sobre a inclusão de áreas de floresta protegidas dentro de algumas das zonas de aceleração propostas. A associação descreve isso como uma questão “séria” que requer esclarecimento e correção.

A associação argumenta (como tantas comunidades já fizeram) que a transição energética de Portugal deve ser desenvolvida ao lado das comunidades locais e não imposta a elas.

A associação também pediu maior ênfase em soluções de energias renováveis descentralizadas, projetos de autoconsumo e comunidades energéticas, garantindo benefícios diretos para os residentes locais afetados por grandes desenvolvimentos.

Em resposta, a EMER 2030 publicou uma refutação ponto a ponto e parece ter aceitado várias das preocupações dos municípios.

A estrutura missionária promete que a versão final do programa fornecerá acesso mais antecipado e claro às informações geográficas, e que o papel dos municípios na avaliação das zonas de aceleração pode ser fortalecido, garantindo compatibilidade com os planos diretores locais e monitorando a implementação.

A EMER também admitiu que a inclusão numa Zona de Aceleração de Energias Renováveis não autoriza automaticamente a construção de projetos. Em vez disso, as zonas devem ser vistas como referências de planejamento estratégico que ‘continuam sujeitas à avaliação e controles de planejamento municipal’.

O órgão também se comprometeu a introduzir maior flexibilidade, permitindo que as autoridades locais restrinjam ou excluam áreas sensíveis, quando apropriado, sem comprometer os objetivos nacionais de energias renováveis, escreve o Público.

E aqui está talvez a melhor notícia para comunidades desesperadas para evitar grandes projetos de energia: “A Ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, admitiu que sem o apoio municipal a iniciativa pode falhar em alcançar seus objetivos.”

O sucesso do programa – o Mapa Verde – dependerá, em última análise, do apoio das autoridades locais, disse a ministra – concordando que “a opinião dos municípios geralmente reflete a opinião da população.”

A consulta pública sobre as Zonas de Aceleração de Energias Renováveis atrásra está aberta e ocorrerá por um mês, com o governo buscando a contribuição de municípios, cidadãos, organizações ambientais e desenvolvedores de energias renováveis antes de finalizar o programa.

Fonte: Público

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Sintraweb.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.