A FENPROF, a federação nacional de professores de Portugal, acusou o governo de tentar se esquivar da responsabilidade pelo que descreve como “caos” nas provas nacionais de ensino secundário deste ano.
Vários “falhas técnicas profundamente preocupantes” têm afetado o primeiro “processo de correção totalmente digital”, diz a federação, citando o fato de professores serem designados por escolas onde já não trabalham, professores aposentados sendo convocados para corrigir provas e alguns professores sendo alocados para corrigir disciplinas que nunca lecionaram.
Para agravar essas situações ridículas, a FENPROF menciona atrasos na entrega de provas digitalizadas, scripts de respostas incompletos e páginas faltando.
“É particularmente sério que há relatos de grupos de correção em que praticamente ninguém recebeu o conjunto completo das provas em condições adequadas,” afirmou a federação hoje.
“Quando uma reforma administrativa ameaça a credibilidade das provas nacionais, não estamos mais falando de uma modernização do Estado (português). Estamos diante de uma falha política que exige explicações, responsabilidade e correção imediata,” considera a declaração da FENPROF, argumentando que “as economias anunciadas de dezenas de milhões de euros” devido a esse novo processo digital “não constituem reforma” alguma, mas sim uma “deterioração do serviço público.”
Este foi o primeiro ano em que o ministério da educação, ciência e tecnologia embarcou em um formato de correção “totalmente digital”, e ter tantas falhas evidentes realmente remete à falta de preparação.
Como a FENPROF admite, ela não é mesmo a favor de que essas provas nacionais sejam uma ferramenta de avaliação das conquistas dos alunos, mas enquanto existirem, o Estado “tem o dever de garantir que sejam conduzidas com absoluta rigor, transparência e justiça” para cada estudante.
Em vez disso, diante das várias anomalias já apresentadas, o governo parece estar tentando “transferir a responsabilidade para organismos intermediários”. E, na visão da FENPROF, isso é “inaceitável”.
Assim, a federação está pedindo uma “explicação completa de quem autorizou” essa “reorganização administrativa” (também conhecida como confusão), quem certificou que as condições necessárias estavam em vigor e quem, em última instância, assumirá a responsabilidade pelos problemas que arriscam minar a confiança em um processo que afeta milhares de jovens.
Os problemas surgiram principalmente após os professores relataram não ter recebido as credenciais de acesso necessárias para começar a correção. As provas de língua portuguesa para alunos do 12º ano estavam programadas para começar a ser corrigidas na terça-feira passada, uma semana após os alunos realizarem as provas, mas nem todos os corretores de provas haviam recebido o acesso digital necessário até aquele momento.
Os atrasos foram relatados pela primeira vez na quarta-feira passada. Na quinta-feira, o Júri Nacional de Exames reconheceu “algumas dificuldades técnicas” e afirmou que estavam sendo resolvidas.
A partir de hoje, nada mudou.
É necessário dizer que os “resultados finais” não devem ser publicados até 10 de julho, e portanto a confusão, até lá, pode ter sido resolvida. Mas, na opinião da FENPROF, esta foi uma entrada abismal no novo mundo da digitalização das provas.
Após as críticas da FENPROF, o júri nacional de exames (JNE) emitiu um comunicado informando que os professores começarão a receber “gradualmente” as provas para corrigir a partir de segunda-feira.
Em uma declaração publicada no site do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), o JNE afirmou que os preparativos para a correção digital das provas nacionais estão “em fase de recuperação, após algumas dificuldades técnicas.”
Fonte: LUSA
