As exportações de componentes automóveis diminuíram 3,3% entre janeiro e atrássto, totalizando 7.900 milhões de euros. O mês de atrássto, por sua vez, registrou uma queda expressiva de 9,9%, muito acima do decréscimo de 1,3% nas exportações nacionais de bens, segundo a AFIA, a associação do setor.
De acordo com cálculos da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, com base nas informações do INE, a retração em atrássto foi particularmente significativa, com as exportações de componentes automóveis abaixo dos 700 milhões de euros, o pior desempenho desde 2015.
As razões percebidas para a diminuição da procura nos principais mercados europeus incluem o abrandamento econômico, a retração do consumo e a instabilidade geopolítica. No entanto, a associação também destaca o preço dos veículos elétricos fabricados na Europa, que é compensado pelas importações, e o ritmo lento de investimento em infraestruturas de carregamento como justificativas para os resultados de atrássto. A queda nas compras do mercado dos EUA também contribui para a diminuição da produção europeia.
Apesar da queda, o setor permanece relevante, representando 14,9% das exportações nacionais de bens transacionáveis.
A Europa continua a absorver a maioria das exportações de componentes automóveis, com uma quota de 88,4%, embora tenha enfrentado uma quebra de 3,2% até atrássto. Em contrapartida, os mercados da África e do Médio Oriente apresentaram resultados positivos, com crescimento de 16,3%. Entre os principais destinos, Espanha manteve a liderança com uma quota de 29,1% e um ligeiro crescimento de 1,7%, enquanto a Alemanha, como segundo mercado, caiu 11,8% e a França teve uma descida de 1,1%. Em contraste, a Romênia destacou-se com um aumento de 37,9%, assim como Marrocos, que cresceu 28,1%.
O presidente da AFIA, José Couto, comentou que “esses números confirmam a fragilidade do setor em um contexto internacional instável e de forte concorrência. A queda de quase 10% em atrássto é preocupante e deve ser encarada como um alerta. Apesar de mercados como Romênia e Marrocos mostrarem sinais positivos, a dependência excessiva da Europa nos deixa vulneráveis.”
O Orçamento do Estado para 2026, apresentado na semana passada na Assembleia da República, inclui várias medidas que potencialmente impactarão as empresas e que a AFIA considera cruciais para a competitividade da indústria automóvel e para o fortalecimento da sua posição internacional.
Entre as medidas proeminentes estão a redução faseada da taxa de IRC, que em 2026 cairá de 21% para 20%, e a simplificação de processos administrativos. Essas alterações abordam um dos alertas repetidos pela AFIA: a urgência de diminuir os custos de contexto e criar um ambiente mais favorável à iniciativa privada.
O Governo também anunciou um reforço na execução dos fundos europeus e do PRR, comprometendo-se a reduzir para 30 dias o prazo máximo de decisão em candidaturas ao Portugal 2030. Para a indústria automóvel, que depende de investimentos significativos em inovação, digitalização e transição energética, essa medida pode ser crucial para acelerar projetos e garantir maior previsibilidade.
“O Orçamento do Estado para 2026 contempla medidas que atendem a algumas das nossas preocupações, como a redução do IRC, a simplificação de processos e o fortalecimento da execução de fundos europeus. Essas decisões podem ajudar as empresas do setor a investir mais, inovar e aumentar sua competitividade internacional. Contudo, é essencial que as promessas de execução rápida dos fundos europeus e de redução da burocracia sejam efetivamente cumpridas, sob pena de continuarmos a perder espaço nas cadeias de valor globais,” acrescenta José Couto. Esses assuntos serão discutidos na 12ª Automotive Industry Week, que acontecerá entre 4 e 5 de novembro, sob o tema “Thinking Beyond the Transition”.
