O número de cidadãos estrangeiros residentes em Portugal ultrapassou 1,5 milhões em 2024. Um retrato da população imigrante em Portugal, elaborado pela Pordata, revela que 76,5% estão empregados e 11,5% estão à procura de emprego, com mais de um em cada quatro estrangeiros vivendo em situação de pobreza ou exclusão social.
Em 2018, havia 480.670 estrangeiros residindo em Portugal, e no final do ano passado esse número totalizava 1.543.697, ou seja, quatro vezes mais.
Dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgados no dia 18, Dia Mundial dos Migrantes, mostram que a maior parte dos estrangeiros (88,2%) com idades entre 25 e 64 anos está no mercado de trabalho: 76,5% empregados e 11,5% à procura de emprego.
Esses números são comparáveis aos da população portuguesa do mesmo grupo etário: 86,9% no mercado de trabalho, dos quais 81,9% estão empregados e 5,0% à procura.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, os dados mostram uma maior desigualdade de gênero entre os imigrantes e a população local. A taxa de emprego entre os estrangeiros é de 86,4% para homens e 68,5% para mulheres, enquanto entre os portugueses, a taxa é de 84,7% para homens e 79,3% para mulheres.
Os dados revelam também uma maior incidência de pobreza. Um em cada quatro estrangeiros residente em Portugal (28,9%) vive em situação de pobreza ou exclusão social, quase 10 pontos percentuais acima da taxa da população portuguesa (19,2%) na mesma situação. Na União Europeia, dois em cada cinco estrangeiros (40%) estão em situação de pobreza, mais do que o dobro dos 19,3% entre os nacionais.
Em 2024, 177.557 pessoas, nacionais ou estrangeiras, imigraram para Portugal. No mesmo ano, 33.916 pessoas (de nacionalidade portuguesa ou estrangeira) emigraram de forma permanente, resultando em um saldo migratório positivo de 143.641, um pouco inferior ao de 2023 (155.701).
Nos últimos anos, a imigração tem sido majoritariamente de estrangeiros, atingindo 60% em 2023. Em contrapartida, a emigração foi principalmente composta por portugueses: mais de 80% do total dos que deixaram o país. Tanto nas entradas quanto nas saídas, os jovens entre 20 e 34 anos são a maioria. Entre os imigrantes, esse grupo etário representou 35% do total em 2023, ligeiramente superior aos 31% do grupo entre 35 e 54 anos.
Portugal viveu, nos últimos 15 anos, dois momentos distintos nos movimentos migratórios: entre 2011 e 2015, durante a crise financeira, o saldo migratório foi negativo, mas a partir de 2016 tornou-se positivo. Durante a crise, o saldo entre saídas e entradas de portugueses atingiu seu pico histórico entre 2012 e 2013, com um saldo superior a 36 mil nos dois anos, especialmente entre os jovens de 20 a 34 anos.
Entre 2016 e 2023, a entrada de imigrantes de nacionalidade estrangeira cresceu a uma taxa média anual de 37%, a maior da União Europeia a 27.
Nacionalidade. Dados da Pordata revelam que em 2024 foram atribuídas nacionalidades portuguesas a 20.624 cidadãos residentes no país, 21% a mais do que em 2023. Três quartos (75%) alegaram residir em Portugal há mais de seis anos, e 17% estão casados ou vivem em união de fato com um português há mais de três anos.
Uma fatia de 80% dos novos cidadãos portugueses tem entre 20 e 64 anos.
A maioria das atribuições de nacionalidade foi concedida a residentes no exterior: 26.216 em 2024, dos quais 81% são descendentes de judeus sefarditas portugueses.
Legalidade. No final de 2024, quase três quartos (71%) dos estrangeiros tinham título de residência, 25% aguardavam obtenção ou renovação do mesmo, e os restantes, cerca de 70 mil, encontravam-se em outras situações.
Educação. Entre 2020 e 2023, o número de alunos cujos pais têm nacionalidade estrangeira e estão inscritos na educação pré-escolar e no ensino básico e secundário cresceu 58%, passando de 130.727 para 206.011. Nesse mesmo período, a população estrangeira quase duplicou, de 666.830 para 1.304.833.
