Governo paga

Governo paga


Uma nova controvérsia tem gerado oposição entre os partidos após um relatório no fim de semana que revelou que o governo pagou €40.000 por um contrato de um ano com os serviços da ‘NewsWhip’, um sistema que se autodenomina capaz de produzir “inteligência em tempo real sobre qualquer coisa que esteja acontecendo, em qualquer lugar.”

As preocupações estão especificamente relacionadas com a capacidade do NewsWhip de “monitorar e acompanhar a mídia em tempo real”. As críticas surgem do fato de que o governo (não conhecido por ser especialmente ‘amigo da mídia’) estaria usando Inteligência Artificial para ‘monitorar jornalistas’.

Ontem, o tabloide Correio da Manhã afirmou: “O NewsWhip, de acordo com seu site, pode criar uma lista de jornalistas cuja cobertura está tendo os maiores repercussões”, classificando-os de acordo com o número de notícias que produzem e o impacto das mesmas.

“A empresa com sede em Dublin fala especificamente sobre monitorar os jornalistas certos; identificando as vozes mais influentes – e promete avisar quando “qualquer artigo está prestes a gerar grande interesse, para que reações possam ser feitas antecipadamente.”

Esse relato surge em um momento em que a prefeita de Coimbra, Ana Abrunhosa, estava nas manchetes por barrar um jornalista que considera que estava fazendo as perguntas erradas/escrevendo ‘informações incorretas’ que o conselho contesta, o que gerou preocupação entre os defensores de ‘uma imprensa livre’.

Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, por exemplo, afirmou que “isso coloca Portugal nas piores classificações para a liberdade de imprensa. Cinquenta anos após a revolução de 25 de abril, o governo quer monitorar jornalistas…”

No entanto, o governo rejeita essa interpretação, alegando que seu contrato é simplesmente uma “forma moderna de monitoramento da imprensa”, que pesquisa fontes abertas e conteúdo público.

O NewsWhip já oferece seus serviços a outros governos e entidades privadas em vários países, bem como a instituições como a Anistia Internacional e as Nações Unidas. Até mesmo organizações de notícias utilizam o NewsWhip, afirma o governo.

Respondendo às preocupações levantadas pelo Bloco de Esquerda, a resposta do governo foi que o NewsWhip “habilita o monitoramento simultâneo de múltiplas plataformas de mídias sociais e veículos de mídia online, utiliza ‘modelos preditivos e métricas de desempenho’ e inclui ‘detecção automática de conteúdo relevante com alertas configuráveis’, com o objetivo de adaptar as comunicações do governo e antecipar reações a controvérsias.”

As explicações, no entanto, não foram suficientes. “Sobre o que estamos falando?”, insiste Fabian Figueiredo. “Qual é o objetivo do governo em ter uma ferramenta alimentada por inteligência artificial que monitora notícias, a atividade de jornalistas e os classifica? Por que vai classificá-los? Com base no apoio ao governo, no conteúdo de suas reportagens, ou porque praticam jornalismo investigativo? Qual é o verdadeiro propósito desta ferramenta?”

Os socialistas do PS também estão desconfiados: o deputado André Moz Caldas sugeriu que a decisão segue um padrão de um executivo que “mostra dificuldades persistentes em compreender o papel da imprensa em uma sociedade livre e democrática.”

Moz Caldas referiu-se particularmente à “prática sistemática de evitar eventos onde jornalistas possam fazer perguntas livremente, e à preferência por aparições controladas – orquestradas pela Unidade de Comunicação do governo – para serem transmitidas sem quaisquer visões opostas. E já vimos isso nas tentativas de impor novos modelos de governança na RTP e na Lusa que minam sua independência editorial,” alertou.

Fontes: LUSA/ TSF

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