Imported Article – 2026-01-26 10:13:36

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Ninguém sabe exatamente o que abrange o “conceito de acordo” entre a NATO e o Ártico, incluindo a Groenlândia. É uma questão “complexa” que será esclarecida mais adiante.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu não seguir com a imposição de tarifas aduaneiras de 10% a oito países da Europa, após ter declarado que estabeleceu “o quadro de um futuro acordo referente à Groenlândia” com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sem fornecer detalhes. O anúncio foi feito, como é comum, por meio de uma mensagem na sua rede social, a Truth, onde disse que, “após uma reunião muito produtiva”, foi delineado o quadro de um acordo para toda a região do Ártico, incluindo a Groenlândia.

Ele ainda mencionou que as discussões sobre a “Cúpula Dourada”, um escudo antimísseis que Trump deseja implementar, estão em andamento. Por conta disso, não avançará, por ora, com as tarifas aduaneiras sobre os países europeus que se opuseram de forma pública ao seu desejo de adquirir a Groenlândia, uma região autônoma da Dinamarca. “Não irei impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor a 1 de fevereiro”, garantiu.

Em uma entrevista à CNBC, Donald Trump esclareceu que existe um “conceito e um acordo”. “Acho que será um bom acordo para os Estados Unidos, e também para eles, e trabalharemos juntos em algo relacionado ao Ártico como um todo, mas também com a Groenlândia. E isso diz respeito à segurança, muita segurança, segurança reforçada e outras questões”, completou.

Foi aventado, sem confirmação, que o acordo poderia incluir a exploração de direitos minerais na Groenlândia. “É um pouco complexo, mas explicaremos mais à frente”, afirmou. Ao ser questionado acerca da duração do acordo em negociação, Trump respondeu: “Para sempre”.

A porta-voz da NATO, Allison Hart, afirmou que a estrutura se focará na segurança do Ártico “através dos esforços coletivos dos Aliados, especialmente dos sete Aliados do Ártico”. Ela acrescentou que as negociações entre os Estados Unidos e a Dinamarca sobre a Groenlândia “vão prosseguir”.

Após a publicação da mensagem, o ministro dinamarquês das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, elogiou a suspensão das tarifas e a decisão de Trump de descartar o uso da força. “[O dia] terminou melhor do que começou”, disse.

E assim foi. Primeiramente, Donald Trump reafirmou, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que deseja controlar “aquele pedaço de gelo”, a Groenlândia, através de dinheiro e não de armas, descartando, pela primeira vez, a opção militar. A alternativa econômica já estava sendo considerada: desde um encontro de alto nível entre o governo dinamarquês e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, acompanhado pelo secretário de Estado Marco Rubio, Trump ameaçou aumentar tarifas sobre os oito países europeus que demonstraram vontade de reforçar sua presença militar na Groenlândia.

A ameaça foi mal recebida na Europa, que em uníssono declarou que não cederiam a chantagens. Como contramedida, foi proposta a suspensão das negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos acerca do acordo de tarifas. Essa suspensão já foi decidida pelo Parlamento Europeu.

Lars Rasmussen apontou que o desejo de Donald Trump de anexar a Groenlândia permanece “intacto”. Ele elogiou a decisão de descartar o uso da força, mas enfatizou que isso não altera a questão central. “Não faz o problema desaparecer”, complementou.

Para Donald Trump, o problema é a segurança, como afirmou: “Está muito claro que ‘é melhor possuir do que alugar’ o território e que a Dinamarca não tem capacidade para garantir a proteção da Groenlândia”, afirmou.

Para aqueles interessados em números, o valor relativo a uma potencial compra daquele “pedaço de gelo”, como se referiu Trump, varia entre 700 e 1000 bilhões de dólares, de acordo com sites que analisaram a questão. Ao deixar uma reunião parlamentar com o ministro da Defesa, Troels Poulsen, Rasmussen reiterou que o território não está à venda. “Não se negociam seres humanos. Pode-se negociar entre pessoas, mas não pessoas”, insistiu o ministro. Ele também se referiu ao que foi decidido em uma reunião entre ele, a sua homóloga da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, em 14 de janeiro, em Washington. “Este acordo prevê discussões de alto nível para ver se conseguimos abordar as preocupações norte-americanas sem ultrapassar as nossas linhas vermelhas”.

“Jamais negociaremos abandonando princípios fundamentais”, acrescentou. “Vivemos em 2026, numa ordem internacional baseada no Direito, na soberania dos Estados e no direito dos povos à autodeterminação – uma ordem que os próprios Estados Unidos ajudaram a construir após a II Guerra”.

A França também reagiu ao discurso de Donald Trump em Davos, mas, por enquanto, apenas em relação às farmacêuticas. Trump acusou a França de aumentar artificialmente os preços dos medicamentos, colocando em perigo a assistência à saúde. Nas redes sociais, o Palácio do Eliseu respondeu: “Parece que o presidente Emmanuel Macron aumentou os preços dos medicamentos. Ele não os define: são regulados pela Previdência Social. Além disso, os preços permaneceram estáveis. Qualquer pessoa que já tenha entrado em uma farmácia francesa sabe disso”. A publicação foi acompanhada por um GIF do presidente norte-americano falando ao microfone, com a frase “Fake news” em letras amarelas.

Do Reino Unido, onde ainda não houve qualquer reação governamental, o líder da extrema-direita, Nigel Farage, afirmou que o mundo seria um “lugar melhor e mais seguro” se os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia. Farage, que lidera as sondagens sobre as intenções de voto dos britânicos e que está em Davos, também reconheceu que a medida não seria compatível com a soberania nacional, nem com sua crença na autodeterminação nacional. “Não tenho dúvidas de que o mundo seria um lugar melhor e mais seguro se os Estados Unidos tivessem uma presença forte na Groenlândia, devido à geopolítica do Alto Norte, ao recuo das calotas polares e ao expansionismo contínuo dos quebra-gelos russos e dos investimentos chineses. A posse da Groenlândia pelos Estados Unidos seria melhor para o mundo em termos de segurança e mais forte para a NATO? Seria. No entanto, para quem acredita no Brexit, para quem acredita em celebrar o 250º aniversário da América, para quem acredita nos Estados-nação e não em estruturas globalistas, acredita na soberania. E quem acredita na soberania, acredita no princípio da autodeterminação nacional”.

Já antes da intervenção de Trump em Davos, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, havia dito que as tarifas norte-americanas contra o Reino Unido por apoiar a integridade territorial da Dinamarca não mudarão a posição de Londres. “Deixei clara a minha posição sobre os nossos princípios e valores. Não cederei, a Grã-Bretanha não cederá nos princípios e valores relativos ao futuro da Groenlândia sob a ameaça de tarifas”, afirmou na Câmara dos Comuns. Starmer aproveitou para anunciar que a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, visitará Londres nesta quinta-feira para conversas bilaterais.

Recorde-se que, já esta semana, a determinação de Donald Trump em anexar a Groenlândia foi elogiada por Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, que rapidamente traçou um paralelo com a Crimeia, a península ucraniana anexada por Moscovo em 2014. “A Crimeia é tão importante para a segurança da Rússia quanto a Groenlândia é para os Estados Unidos”, afirmou. secundando os sentimentos do presidente americano, descreveu o controle da Dinamarca sobre seu território autônomo como uma “relíquia” do passado colonial. “A Groenlândia não faz parte da Dinamarca por natureza”, acrescentou.

Nesta terça-feira, o tenente-general Christian Freuding, comandante das Forças Armadas Alemãs, afirmou em entrevista ao jornal ‘Handelsblatt’ que a Alemanha poderá expandir sua presença militar na Groenlândia como parte da NATO, especificamente com o destacamento de fuzileiros de montanha. “Se a Bundeswehr receber uma missão da NATO, poderemos ser mais ativos na Groenlândia para garantir a segurança da aliança – em termos de forças terrestres, por exemplo, destacando atiradores de montanha”, disse.

Entretanto, o governo da Groenlândia lançou nesta quarta-feira uma brochura com orientações para a população em caso de uma “crise” no cobiçado território. O documento é “uma apólice de seguro”, afirmou o ministro da Autossuficiência, Peter Borg, em uma conferência de imprensa em Nuuk, a capital. “Não esperamos precisar de usá-la”, enfatizou, mas é melhor que haja orientações para a população. “Prevenir é melhor que remediar”, afirmou Peter Borg.

A brochura, intitulada “Preparado para crises: seja autossuficiente por cinco dias”, começou a ser escrita “no ano passado, no meio de cortes de energia de duração variável”, explicou o ministro, tentando desdramatizar. O documento recomenda especificamente o armazenamento de alimentos para cinco dias, três litros de água por pessoa por dia, papel higiênico, um rádio a pilhas, além de armas, munição e equipamentos de pesca.

Mas isso era antes. Agora, aguardam-se pelas explicações e pelo resultado das negociações.

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