Portugal Expressa Preocupações sobre Privacidade e Concorrência no Euro Digital

Portugal Expressa Preocupações sobre Privacidade e Concorrência no Euro Digital

O Governo português expressou hoje preocupações sobre questões de privacidade, concorrência e limites para a posse do euro digital, a versão eletrónica da moeda única europeia, pedindo “equilíbrio” enquanto a União Europeia (UE) estabelece sua criação.

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, falou em uma conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, em Lisboa, no dia 16 de janeiro de 2025. Ele destacou que Portugal, nas reuniões, manifestou preocupações relativas ao euro digital, abrangendo privacidade, concorrência e limitações sobre a quantidade que cada indivíduo pode deter.

Durante o segundo dia da reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia, realizada na capital dinamarquesa sob a presidência rotativa da Dinamarca, o ministro apontou que “é necessário encontrar um equilíbrio entre um instrumento público promovido pelo Banco Central Europeu e o sistema financeiro existente”.

Na sexta-feira, os ministros das Finanças da zona euro chegaram a um acordo político sobre as diretrizes para a criação da moeda única digital, incluindo potenciais limites máximos de posse, conforme anunciado pela Comissão Europeia, que espera um consenso europeu até o final do ano.

Este euro digital será uma versão eletrónica emitida e garantida pelo Banco Central Europeu (BCE), com o mesmo valor das notas e moedas físicas em euro. Após a primeira aprovação, o objetivo é alcançar uma posição comum entre os países da UE até o final do ano, permitindo que o Conselho inicie negociações com o parlamento.

Os limites de posse ainda estão a ser definidos, sendo que, se baixos, poderão ser pouco atrativos, mas se altos, podem ameaçar a estabilidade financeira. A Comissão Europeia apresentou, há dois anos, um pacote legislativo sobre o euro digital, mas a decisão final é dos Estados-membros, com o BCE a trabalhar no design da moeda virtual.

A intenção é que o euro digital possa competir com serviços de pagamento online como PayPal ou Apple Pay dos Estados Unidos e Alipay da China. Estima-se que, até 2027, estas plataformas de pagamento a retalho, predominantemente dos Estados Unidos e da China, sejam responsáveis por 40% do comércio eletrônico e 27% dos pagamentos em loja na Europa.

Atualmente, o BCE está a preparar a criação do euro digital. Após o lançamento do projeto-piloto em 2021, o banco central tem desenvolvido metodologias e limites, criando um manual e finalizando os aspectos técnicos. No final de 2025, o Conselho do BCE deverá decidir sobre o avanço para a próxima fase do projeto.

O pacote legislativo divulgado pela Comissão Europeia em junho de 2023 visa avançar na criação dessa nova opção na União Europeia, ao mesmo tempo que busca proteger o uso do euro em numerário. Dentro deste pacote, a instituição propôs um euro digital que, assim como o numerário, estaria disponível como cartões ou aplicações e funcionaria como uma carteira digital, permitindo que cidadãos e empresas realizem pagamentos a qualquer momento e em qualquer lugar da zona euro.

A responsabilidade pelo euro digital caberá ao BCE, que decidirá se e quando emitirá esta versão virtual da moeda única. Uma moeda digital é um ativo similar ao dinheiro, armazenado ou trocado através de sistemas online geridos pelo banco central.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Sintraweb.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.