Procurador

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A notícia de ontem sobre investigações extensivas em uma suposta rede de clientelismo e favores envolvendo várias entidades municipais do PS surgiu exatamente quando o partido PS nacional estava se recuperando – colocando a popularidade do governo de Luís Montenegro, do AD, em um distante segundo lugar.

É por isso que várias figuras dentro do partido questionaram o timing desta investigação (particularmente porque seu foco é algo que muitos não enxergam como ‘especialmente censurável’: os partidos políticos sempre favoreceram os seus próprios nos negócios e na contratação de serviços, uma prática que existe em Portugal há décadas, se não mais).

Mas não são só os socialistas do PS que sugerem a existência de um ‘cabal’ contra o partido socialista. O ex-líder da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, também uniu pontos nesse processo e outros (ou pelo menos acredita que o fez).

Ontem, enquanto as manchetes atualizavam o número de pessoas presas na ‘Operação Imergente’ da PJ, Rocha estava sentado na comissão parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, questionando o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, seu segundo em comando, Paulo Morgado do Carvalho, e o diretor da DCIAP (departamento de investigação criminal e ação penal), ostensivamente para investigar as conclusões de uma auditoria que apontou “vários problemas e falhas” na DCIAP, departamento do Ministério Público dedicado aos tipos mais complexos de criminalidade. Rocha perguntou, diretamente, se as agendas estavam sendo ditadas “por outros tipos de interesses”, além dos interesses judiciais.

“De forma alguma”, foi a resposta de Guerra. “Eu nunca tive timings.”

“Não somos táticos. Minha experiência me diz uma coisa: quando, por cautela, não emitimos a ordem, não decidimos, será pior depois. Outras coisas podem acontecer que não estamos esperando, e então será pior (…) Não presto atenção nas pesquisas. (…) Obviamente, haverá pessoas que dirão que ‘o diretor da DCIAP disse que não há timings políticos, mas há, e sabemos quais são’. O que eu quero pedir a você, e ao povo, é que permaneçam calmos, não temos absolutamente nenhuma situação de timings políticos.”

E quanto a uma carta furiosa enviada ao Presidente Seguro pelo Juiz Ivo Rosa, reclamando de “perseguição criminal” pelo Ministério Público (simplesmente porque tomou decisões que contrariam as reivindicações dos procuradores), novamente Guerra foi desdenhoso. “Nós tratamos todos os cidadãos de forma igual”, disse, embora a carta do Juiz Rosa esteja “sendo analisada”.

Por enquanto, não está claro se as explicações de Amadeu Guerra alterarão a visão daqueles que acreditam que toda a investigação que explodiu nas televisões do país ontem foi ‘fabricada’, para um efeito máximo.

As quatro pessoas presas – incluindo o assessor de comunicação do atual líder do PS, Duarte Moral, e sua esposa Rute Reimão (que presta serviços para a câmara municipal da Santa Maria Maior desde 2017) – devem ser apresentadas a um magistrado mais tarde hoje, para ouvir se podem ser liberadas e, se sim, sob quais termos.

O chamado ‘epicentro’ desta investigação, o ex-presidente da câmara da paróquia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, já suspendeu seu mandato na Assembleia Municipal de Lisboa.

Fonte: Lusa/ Correio da Manhã

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