“Hoje, o INEM é um dos últimos bastiões da segurança do Estado e, lamentavelmente, não consegue garantir uma resposta eficaz, transformando-se numa loteria que envolve a saúde das pessoas”, afirmou José Luís Carneiro durante o debate quinzenal na Assembleia da República, que contou com a presença do primeiro-ministro.
O secretário-geral do PS criticou o Governo, alegando que este demonstrou “insensibilidade, incapacidade e incompetência” para lidar com os problemas de saúde, considerando que o INEM se tornou “uma loteria que arrisca a saúde das pessoas”.
Carneiro destacou a “profunda incompetência, insensibilidade e incapacidade” do governo de Luís Montenegro em atender às necessidades de saúde da população. Ele afirmou ainda que o PS nunca alegou existirem soluções simples para os problemas de saúde, mas sim que são complexos, apontando que essa crença simplista partiu do primeiro-ministro.
O líder do PS mencionou a situação das urgências “entupidas quando não estão fechadas”, o aumento de “nascimentos em ambulâncias”, os crescentes tempos de espera para cirurgias, a escassez de médicos de família e as “falhas dramáticas na emergência pré-hospitalar”.
José Luís Carneiro informou que o Governo não ativou o plano de reforço das ambulâncias com a Liga dos Bombeiros e questionou Luís Montenegro sobre a proposta do PS para a emergência hospitalar.
Em resposta, Luís Montenegro acusou Carneiro de adotar uma “retórica estudada” ao implicar insensibilidade no Governo. “Para lhe responder, uma palavra: descaramento,” disse Montenegro, ressaltando que “a saúde está como está também devido à governação socialista”.
O primeiro-ministro afirmou que Carneiro ignora os problemas que surgiram desde a entrada deste Governo em funções, insinuando que seria mais produtivo se o deputado não tivesse uma postura de descaramento, e que, ao contrário do PS, para o PSD, as pessoas estão em primeiro lugar, “a ideologia fica em segundo plano”.
Montenegro anunciou que “várias alterações estão a ser implementadas” no INEM e que a capacidade de resposta na área da saúde “hoje é muito melhor do que há um ou dois anos”.
José Luís Carneiro questionou também o primeiro-ministro sobre a sua disposição para aprovar as propostas do PS a respeito da habitação, lamentando que os custos com habitação tenham aumentado 25% sob este Governo.
Montenegro respondeu que “José Luís Carneiro está obcecado pela posição do Governo em relação às suas propostas”.
Carneiro ainda trouxe à tona o tema dos impostos, recordando o aumento do ISP após a aprovação do Orçamento do Estado para 2026, e que, entre o Natal e o Ano Novo, “o IMI aumentou”, mas o primeiro-ministro negou que houvesse aumento de impostos.
O secretário-geral socialista concluiu que Montenegro não foi “claro ao condenar a intervenção [dos Estados Unidos] na Venezuela”, pedindo que isso não prejudique a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
