Venezuelanos mantêm tradições e levam iguarias portuguesas para a mesa de Natal apesar da crise

Venezuelanos mantêm tradições e levam iguarias portuguesas para a mesa de Natal apesar da crise

“O bacalhau continua a ser o rei, mas atrásra com menos fartura e doses mais reduzidas. É difícil, mas é preciso manter a tradição pelo menos no Natal”, explicou um português à agência Lusa.

Contornando a crise política, económica e social na Venezuela, os portugueses continuam a levar para a mesa de Natal uma mistura de iguarias locais e lusas, em quantidade que varia segundo a ‘algibeira’ e o tamanho das famílias.

“Há alguns anos, o bacalhau, as filhós, as broas de mel e a carne vinha d’alhos enchiam quase em exclusivo a mesa em tempos da festa”, contou Carlos Rebolo, comerciante.

Agora, essas iguarias estão em pé de igualdade com a gastronomia local, como o pernil de porco, o doce de papaia, o pão de fiambre e a “hayaca”, um preparado de massa de milho recheada de carnes e cozida em folhas de plátano.

“A inflação tem feito subir muito os preços. O bacalhau está entre 50 e 65 dólares o quilograma, dependente da origem e da qualidade, por isso a carne de porco e de vitela, que custa uns 15 dólares o quilograma, estão a ganhar lugar”, explicou.

Apesar das dificuldades, há três anos que Maria Castro faz broas de mel para vender a portugueses e a alguns supermercados. “A procura começa já em outubro. Os portugueses têm sempre alguma coisa da sua terra na mesa do Natal, talvez já não em tanta quantidade como antes, mas mantêm a tradição”, disse.

A costureira Lucinda Gomes recorda as grandes reuniões familiares do passado, antes de os dois filhos e vários amigos terem emigrado. “O Natal era sempre tempo de algazarra, desde os preparativos da ementa, que começa dias antes, ao ambiente na cozinha. Agora tudo é mais reservado, apenas eu e o meu marido. Graças à tecnologia, parece que a distância está mais curta, porque com o telefone nos vemos, por vezes parece que estamos quase lado a lado”, comentou.

Lourdes Silva, doméstica, viu recentemente os seus planos mudarem drasticamente. Após cinco anos sem visitar a Madeira, programou a viagem, mas a suspensão dos voos diretos para Portugal e o aumento dos preços das passagens obrigaram-na a desistir. “Há voos regionais que são quase tão caros como uma viagem a Portugal. Os reembolsos ainda não foram feitos e os preços dispararam e não apenas por ser ‘época alta’. Optei por deixar para o próximo ano, com a esperança de recuperar o dinheiro e conseguir algo mais em conta”, disse.

Vários comerciantes explicaram à agência Lusa que, nos últimos dias, os estabelecimentos comerciais de Caracas têm registado mais presença de pessoas à procura do que levar para a mesa de Natal e de presentes. No entanto, salientaram, “a economia está ressentida”.

“Havia mais pessoas que entravam e saíam dos centros comerciais e, com exceção de algumas lojas, há vendas, mas menos que em anos anteriores. As pessoas queixam-se dos preços, de que tudo sobe de dia para dia e que o dinheiro não rende”, explicou o comerciante Carlos Meneses.

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