Para a Associação Industrial Portuguesa, o acordo assinado neste sábado entre a União Europeia e o Mercosul representa uma “janela estratégica” para ampliar a presença portuguesa em cadeias industriais transatlânticas, reforçar a exportação de bens de maior intensidade tecnológica e atrair e alavancar investimentos produtivos, promovendo parcerias empresariais.
A AIP – Associação Industrial Portuguesa celebra a assinatura do Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul, formalizado hoje em Assunção, Paraguai, considerando-o “um passo relevante” para a afirmação externa da Europa e para a “criação de novas oportunidades de crescimento” para as empresas portuguesas.
“Este acordo deve ser compreendido como um instrumento econômico com impacto direto na competitividade, na redução de barreiras ao comércio e na previsibilidade das relações internacionais, em um momento em que se intensifica a incerteza global e se multiplicam mecanismos protecionistas em diversas geografias”, afirma a entidade empresarial presidida por José Eduardo Carvalho, em comunicado enviado à nossa redação.
Em um contexto de crescente intensificação do comércio intra-blocos regionais e de fortalecimento de medidas de proteção comercial, este acordo pode representar para a Europa, segundo a AIP, “um sinal de renovação estratégica e uma nova ‘areagem’ em um período prolongado de estagnação e de perda gradual de importância econômica relativa no sistema global”. Tal instrumento deve ser aproveitado não apenas como um acordo comercial, mas como uma alavanca para reposicionamento econômico e industrial.
“Abre um novo ciclo de oportunidades para a indústria portuguesa, desde que saibamos responder com investimento, escala e capacidade de execução. A abertura de mercados, por si só, não garante resultados — é necessário preparar as empresas para competir”, declara a AIP.
O acordo UE–Mercosul deve ser visto não apenas como um instrumento de dinamização do comércio, mas também como uma janela estratégica para: ampliar a presença portuguesa em cadeias industriais transatlânticas; reforçar a exportação de bens com maior intensidade tecnológica; atrair e alavancar investimentos produtivos, fomentando parcerias empresariais.
O Mercosul reúne economias com elevado potencial, onde empresas portuguesas podem fortalecer posições em áreas como metalomecânica, materiais de construção, componentes industriais, equipamentos, agroindústria, tecnologias de informação, energias limpas e serviços associados à indústria.
Para Portugal, existe um fator diferenciador no contexto europeu: a proximidade cultural e linguística com o Brasil — a maior economia do Mercosul e principal mercado da região — “o que cria condições particularmente favoráveis para a afirmação das empresas portuguesas”.
Para melhor aproveitamento deste quadro comercial, a associação ressalta a importância de “uma resposta concreta, articulada entre empresas e políticas públicas”, através de:
“1) reforço de instrumentos de financiamento à internacionalização e investimento produtivo; 2) capacitação em certificações, normas técnicas e requisitos de mercado; 3) promoção ativa de missões empresariais e plataformas de parceria; 4) apoio a PME industriais na gestão de risco, logística e presença local.”
