Portugal negou vistos a pelo menos 20 parteiras da África e da Ásia que deveriam participar de um importante congresso internacional em Lisboa neste fim de semana – e ninguém consegue entender o motivo.
A ICM, a Confederação Internacional de Parteiras que organiza o congresso, está fazendo o possível para persuadir as autoridades a reconsiderar, afirmando que a decisão está excluindo alguns dos profissionais de saúde materna mais experientes do mundo.
Este golpe ocorre em um momento em que Lisboa tem recebido reconhecimento como um centro global de eventos de negócios, e um destino líder para associações internacionais e encontros profissionais.
De acordo com a ICM, os profissionais cujos vistos foram negados vêm de países como Nigéria, Gana, Ruanda, Burundi, Etiópia, Serra Leoa, República Democrática do Congo, Bangladesh e Índia.
O congresso, que oficialmente começa amanhã e vai até o dia 18 de junho (próxima quinta-feira), é um evento trienal, focado na redução da mortalidade materna e neonatal. As discussões se concentrarão em combater as estimativas de 260.000 mortes anuais de mulheres durante a gravidez ou parto, e os 4,2 milhões de bebês que morrem ao nascer ou dentro do primeiro mês de vida.
Expressando sua frustração por estar excluída, Harriet Akello, uma executiva da ONG Mother Health International, que atua em comunidades remotas em Uganda, disse à agência de notícias AFP: “Eu estava preparada para liderar uma sessão sobre como recomendações baseadas em evidências podem manter mulheres e bebês vivos nas circunstâncias mais desafiadoras (…) Tomadores de decisão de todo o mundo estão em Lisboa, e aqui estou em Uganda, explicando a uma embaixada por que devo ser autorizada a viajar!”
A conselheira da ICM, Kate Stringer, afirmou que a ausência de especialistas de regiões com algumas das mais altas taxas de mortalidade materna e infantil enfraquecerá as discussões.
Não está claro nos textos online se os palestrantes excluídos podem se dirigir ao congresso por meio de videoconferência, o que poderia ser uma solução. Curiosamente, o site da ICM menciona ‘centenas de parteiras’ sendo excluídas ‘deste encontro global’, e não apenas 20.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, por sua vez, “defendeu o processo de vistos” em resposta a perguntas da agência de notícias Lusa, afirmando que todos os pedidos de visto de curta duração apresentados através dos serviços consulares portugueses “são avaliados de acordo com as regras europeias”.
“Todos os pedidos de visto de curta duração apresentados em postos consulares portugueses são avaliados e processados com rigor, objetividade e fatos, em total conformidade com as regras e critérios estabelecidos no Código de Vistos de Schengen,” disse o ministério em um comunicado.
O ministério acrescentou que os mesmos procedimentos se aplicam em países onde Portugal está representado pelos serviços consulares de outro estado membro do Schengen, e enfatizou que Portugal continua comprometido com o “processamento ágil, uniforme e transparente” dos pedidos de visto.
NB *Um surto de uma cepa de Ebola, para a qual não há vacina e nem tratamento específico, colocou os países em alerta sobre qualquer chegada da República Democrática do Congo.
Fonte: SIC Notícias/ Lusa
