O Presidente da República, António José Seguro, assinalou o Dia do Trabalhador (1º de Maio) hoje, destacando as questões ‘candentes’ – os problemas persistentes que continuamente impedem Portugal de avançar como nação.
Em uma declaração divulgada em sua página oficial, o chefe de Estado escreveu: “É através do trabalho que cada um de nós constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade em que opera. Portanto, o dia 1º de maio não é apenas uma data no calendário. É também uma afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana.
“Este ano, o Dia do Trabalhador nos encontra em um momento de grande inquietação. Guerras na Europa e em outras regiões do mundo. A desaceleração econômica e o aumento do custo de vida. A inflação corrói os salários antes mesmo de chegarem ao fim do mês. A inteligência artificial e a robótica estão transformando o mundo do trabalho a uma velocidade que nenhuma geração anterior conheceu. E a precariedade se estabeleceu em muitos contratos, em muitas vidas, como se fosse inevitável.
“A história nos ensina que os trabalhadores enfrentaram momentos como este antes. E que a resposta nunca foi a resignação – foi a organização, a exigência e a luta por direitos. Foi exatamente isso que construiu as sociedades mais justas que conhecemos. É exatamente isso que está na origem desta data.
“Os desafios de hoje são novos em forma, mas familiares em essência. A experiência revela que as decisões políticas podem moldar resultados. A tecnologia depende de regulação e de como distribuímos seus benefícios. A precariedade não é uma lei da natureza. E o trabalho deve valer a pena – deve ser capaz de pagar o aluguel, a comida e o futuro das crianças.
“Neste 1º de maio, a data é celebrada por mulheres e homens que acordam todos os dias para trabalhar. Eles o fazem com orgulho, muitas vezes com sacrifício, quase sempre com a esperança de que o esforço de hoje se traduza em uma vida melhor amanhã.
“É por eles que esta data existe. É por eles que esta data se mantém necessária.
“A todos os trabalhadores portugueses, em Portugal ou na diáspora, meu reconhecimento e meu respeito. E minha determinação de que esta Presidência nunca será indiferente às suas causas. Eu nunca aceitarei em silêncio que aqueles que trabalham não possam viver com dignidade.
“Feliz 1º de Maio.”
A declaração é ainda mais tocante ao se perceber que acontece em um momento de enorme tensão política sobre a legislação trabalhista arduamente conquistada no país: o governo está focado em pressionar reformas que o primeiro-ministro afirma serem fundamentais para tirar o país da sua estagnação, mas que os sindicatos veem como um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.
O governo afirmou que, com ou sem a bênção dos sindicatos, apresentará suas reformas propostas ao parlamento para votação.
Os sindicatos responderam convocando uma nova greve geral – confirmada para quarta-feira, dia 3 de junho.
Antes de ser eleito – com o maior número de votos já registrados para um único candidato – o Presidente Seguro afirmou que vetaria quaisquer mudanças na legislação trabalhista que não tivessem a aprovação dos sindicatos.
Em outras palavras, hoje é ‘Dia do Trabalhador’, mas o tema do trabalho em Portugal certamente marcará os próximos meses.
Fonte: Presidência da República
