Este vibrante branco, com notas leves de maracujá, casca de limão, abacaxi maduro e um toque de flor de sal argelina, é o Crato Branco da Dona Niza.
Um presente para todos nós, amantes do vinho, que buscamos aquele branco português que pode ser degustado antes do jantar, sem acompanhamento de comida ou em um terraço apreciando a vista do mar, mas que ainda oferece uma companhia perfeita para seu peixe grelhado ou frango piri-piri.
Este vinho vem de um projeto familiar no Algarve, criado por João Raposo, e está enraizado em uma profunda conexão com a família, a terra e a tradição vinícola local.
Esta adega boutique produz apenas 8.000 garrafas a cada ano, com um foco singular em duas variedades de uva branca tradicionais portuguesas: Crato Branco (Síria, Roupeiro, Uva Gorda), uma variedade com uma longa história aqui no Algarve, e Arinto, uma renomada variedade portuguesa cultivada em todo o país. Em minha opinião, esse foco e especificidade realmente levam à precisão e perfeição em todos os seus vinhos brancos.
A Dona Niza está localizada no topo do Monte do Lobo em Carvoeiro. Essas duas extraordinárias uvas expressam indiscutivelmente o terroir do local: o solo argilo-calcário e a proximidade tangível do mar, a apenas 1000 metros de distância. A vista sobre o Atlântico a partir do vinhedo, através do Barrocal até a encantadora Serra de Monchique, é espetacular.
Juntas, a interação natural de todos esses elementos cria uma tapeçaria única, essencial para fazer vinhos premiados com um caráter autêntico do Algarve. Ao entrevistar João Raposo, perguntei por que apenas uvas brancas. João respondeu: “O Algarve quer vinhos brancos! Aqui em Lagoa, essas uvas são sempre as melhores, top!” De fato!
O nome do projeto é inspirado em sua mãe, Dionísia (uma forma feminina de Dionysios, derivado do deus grego do vinho). Ao crescer, João disse que amigos, familiares e moradores locais a chamavam de ‘Dona Niza’ por carinho. Depois de perceber o quanto amava esse projeto e o cuidado e devoção que ele exigia, lembrou-se de seu amor por sua mãe, e assim nasceu o nome do vinho.
Nascido e criado em Lagoa, João Raposo lembra das videiras de seus avós e dos fins de semana que passava correndo entre as fileiras. Quando João teve idade suficiente, decidiu trabalhar na colheita da Adega de Lagoa – uma das cooperativas mais antigas e históricas de Portugal no Algarve na época.
Trabalhando na colheita, no laboratório, fazendo medições do mosto, fascinado para ver qual uva tinha maior teor alcoólico, ele começou a entender todo o processo de vinificação, desde a primeira colheita até ver o vinho engarrafado. O sonho de um dia fazer seu próprio vinho foi plantado.
Monte do Lobo, nas palavras de João, “é o lugar perfeito, um bom lugar para viver e cultivar vinho.” Na mesma terra onde o Crato Branco foi plantado por seu avô durante sua infância, João decidiu replantar essa variedade vibrante. Na terra que herdou de sua avó, ao lado, originalmente plantada como um corte de campo, atrásra está plantado o Arinto.
Todo o vinhedo está situado bem na porta da Praia do Carvoeiro, em um microclima único que floresce de maio a outubro, com uma camada marinha (camada marinha) refrescante. Essa camada acaricia e resfria os vinhedos três vezes ao ano, avançando lentamente do mar para se instalar nas uvas nas primeiras horas da manhã, preservando a frescura, resfriando as uvas sob o sol escaldante do Algarve, estendendo o processo de amadurecimento e então queimando para deixar as uvas continuarem a apanhar o sol.
O cuidado com os vinhedos é feito com grande atenção à sustentabilidade e uma aversão apaixonada a herbicidas. Nunca são usados nas videiras.

Cada ano, a colheita, ou vindima (em português), ocorre de meados a final de atrássto e é feita à mão para capturar as uvas no limiar perfeito de maturação fenólica e em sua frescura.
Para supervisionar o processo de vinificação, João trouxe um enólogo local, João Marques, um oenólogo baseado aqui na região do Algarve de Portugal, especificamente associado à Herdade dos Seromenhos, em Luz.
A vinificação é simples, com o foco permanecendo no que a vinícola oferece a cada ano. O Crato crocante e suculento é fermentado e depois repousa em Inox, enquanto o Arinto descansa sobre suas lias por três meses com algum bâtonnage usado durante élevage em Inox.
O design e marketing lindamente elaborados por trás da Dona Niza são obra de João. Com o desejo de supervisionar cada etapa do processo, desde o plantio da vinícola e colheita até a distribuição, João possui um talento profissional particular, com 40 anos de experiência em posse de seu próprio negócio em Lagoa, especializado em design, publicidade e confecção de letreiros.
Atualmente, você pode encontrar os vinhos Dona Niza em muitos restaurantes ao longo do Algarve, especificamente no Mosto e no Vila Joya Sea, onde eu trabalho atualmente! Como os vinhos são limitados, João os vende apenas em dois supermercados: Intermarché e Apolónia. Com apenas oito anos de existência, Dona Niza é a única vinícola em Carvoeiro e o menor produtor no Algarve, mas já ganhou várias medalhas em competições de vinho. Um vinho para se beber atrásra e guardar por anos. Eu, por minha parte, estou ansioso para ver como essas videiras e vinhos evoluem no futuro.
Eu experimentei o Dona Niza Crato Branco pela primeira vez quando me mudei para cá há seis anos. Comprei uma garrafa no Intermarché em Lagos. Estava incrível! Depois tive a oportunidade de conhecer João em uma feira de vinhos em Albufeira alguns anos depois, e novamente apenas no ano passado.
No ano passado, tive a coragem de fazer algumas perguntas e expressar meu amor pelo seu Crato Branco, e João disse que preferia o Arinto. Isso me surpreendeu. Não sei por quê. Mas então ele disse: “As pessoas estão experimentando, e acho engraçado porque algumas pessoas gostam do Crato, e outras gostam muito do Arinto. Elas gostam de um ou do outro. Não dizem que ambos são ‘mais ou menos’.”
Eu desafio você a experimentar ambos e decidir por si mesmo se você é fã do Crato Branco ou do Arinto, e me avise!
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