Os consumidores portugueses são mais propensos do que qualquer outro europeu a sentir ansiedade ao acompanhar as notícias sobre a economia, de acordo com um novo estudo internacional que também revelou que Portugal lidera o continente em adiar aquisições importantes devido a preocupações com o futuro.
O mais recente Relatório Europeu de Pagamentos ao Consumidor (ECPR) constatou que 47% dos entrevistados portugueses sentem ansiedade ao acompanhar as notícias econômicas, bem acima da média europeia de 29%.
Esse número foi o mais alto entre os 20 países entrevistados, e mais de três vezes o registrado nos Países Baixos, onde apenas 15% dos consumidores relataram um impacto emocional semelhante.
O estudo – realizado pela Intrum, uma empresa de gestão de crédito europeia – também descobriu que Portugal é líder na Europa quando se trata de adiar aquisições significativas devido a preocupações com o futuro.
Cerca de 68% dos entrevistados afirmaram hesitar antes de efetuar compras significativas, como uma casa ou um carro, devido à incerteza econômica, à frente de Itália (66%) e Grécia (61%).
A tendência é particularmente acentuada entre os adultos mais jovens. Quase oito em cada dez membros da Geração Z (aqueles nascidos entre 1997 e 2012) disseram que estavam adiando aquisições importantes, enquanto a cifra subiu para 77% entre os entrevistados no Alentejo.
As mulheres foram constatadas como sendo ligeiramente mais afetadas pelas notícias econômicas do que os homens, com 53% relatando ansiedade em comparação com 41% dos entrevistados masculinos.
Por região, os maiores níveis de ansiedade foram registrados no Alentejo, onde 56% dos entrevistados afirmaram que as notícias econômicas os afetavam negativamente, enquanto a região Centro reportou o menor nível, com 43%.
O relatório também aponta para os efeitos duradouros da crise do custo de vida.
Quase dois terços dos consumidores portugueses (62%) afirmaram que o aumento dos preços nos últimos anos causou um deterioração permanente em seu bem-estar financeiro, significativamente acima da média europeia de 43%.
Os grupos mais afetados foram a Geração Z (69%) e a Geração X (68%), enquanto as maiores cifras regionais foram registradas no Alentejo, Açores e Madeira, todos com 67%.
Apesar dessas preocupações, muitos lares estão tentando fortalecer sua resiliência financeira. Seis em cada dez entrevistados portugueses afirmaram que regularmente guardam dinheiro para formar um fundo de emergência, alinhando-se à média europeia.
De acordo com Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, os resultados destacam a crescente conexão entre as pressões financeiras e o bem-estar mental.
“A constante exposição a previsões econômicas negativas e o medo de não conseguir atender às despesas básicas cria uma verdadeira pressão emocional,” disse ele.
“Essa nova forma de ansiedade financeira está moldando comportamentos, adiando decisões importantes e afetando o bem-estar psicológico das famílias,” acrescentou Salvaterra, pedindo soluções que “combinem estabilidade econômica com maior literacia financeira e suporte prático para a gestão do orçamento familiar.”
