A maior confederação sindical de Portugal alertou que a economia nacional está excessivamente dependente do turismo e perdeu grande parte da sua capacidade de produção interna.
Falando na sexta-feira (8 de maio), Tiago Oliveira, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), afirmou que Portugal “não pode basear a sua economia na hotelaria e no turismo,” apelando, em vez disso, a um modelo centrado na produção de maior valor acrescentado.
Oliveira fez estas declarações a jornalistas à margem de um fórum público em celebração do Dia Mundial da Segurança Social.
Ele disse que a economia portuguesa continua “baseada em produtos de baixo valor acrescentado,” o que limita a sua capacidade de competir com as importações.
“Podemos vender quantos croissants e pastéis de nata quisermos, mas nada disso competirá com o que temos de comprar do estrangeiro porque desistimos da nossa produção interna,” afirmou Oliveira.
Ele também destacou o setor ferroviário, criticando a dependência de Portugal de compras de comboios estrangeiros.
“Agora temos de comprar mais 100 comboios. Onde vamos comprar esses 100 comboios? Vamos comprá-los de Espanha, vamos comprá-los de França, vamos comprá-los da Suíça,” questionou.
Oliveira acrescentou que Portugal “já teve uma grande companhia ferroviária nacional.”
“Quantos pastéis de nata teremos de vender para comprar um comboio da Suíça, de Espanha ou de França?” questionou.
O líder sindical atribuiu os desafios de produtividade do país a decisões políticas tomadas nos últimos anos.
“A questão da produtividade reside aqui, nas opções políticas que foram feitas ao longo de todos estes anos,” disse.
Ele também enfatizou a importância de valorizar os trabalhadores e criar condições para que possam “ter uma vida próspera no seu país.”
Sobre o pacote laboral que está atualmente em discussão, Oliveira afirmou que há “rejeição” entre os trabalhadores e alertou que os partidos “terão de ser responsabilizados” pelos seus votos na Assembleia da República.
“Ou estão do lado de um governo que respondeu aos interesses dos empregadores, ou estão do lado da maioria. A maioria são os trabalhadores,” disse.
Sobre a tributação, Oliveira argumentou que os trabalhadores estão dispostos a pagar a sua parte, desde que o dinheiro seja utilizado “para melhorar os serviços públicos” e atender às necessidades da população.
Fonte: Lusa
* Tarte de creme tradicional portuguesa, amplamente considerada uma iguaria imperdível para os turistas que visitam Portugal
