Revisão do Código de Comportamento de Albufeira após Ano de Menos Excessos Turísticos

Revisão do Código de Comportamento de Albufeira após Ano de "Menos Excessos Turísticos"



O controverso Código de Conduta de Albufeira, introduzido há um ano para combater comportamentos “inadequados” de turistas, parece estar a ter o efeito desejado, de acordo com o município. No entanto, as autoridades locais atrásra acreditam que as regulamentos precisam de ajustes e que a fiscalização no terreno deve ser reforçada.

O código, que entrou em vigor a 24 de junho do ano passado, introduziu multas para uma série de comportamentos considerados inadequados em espaços públicos, incluindo nudez e andar pela cidade de fato de banho fora das praias. Foi criado após uma série de incidentes que atraíram atenção internacional e alimentaram preocupações sobre a imagem da estância do Algarve.

Falando à agência de notícias Lusa no primeiro aniversário das regras, o prefeito de Albufeira, Rui Cristina, disse que houve “melhores comportamentos” por parte dos visitantes este ano e menos incidentes de abusos.

“Acredito que este ano houve um melhor comportamento por parte dos turistas, menos abusos, e o que queremos é sensibilizar aqueles que nos visitam de que este tipo de comportamento não é aceitável,” afirmou.

Cristina disse que a Polícia Municipal tem realizado inspeções e campanhas de conscientização foram conduzidas em hotéis e estabelecimentos comerciais para informar os visitantes sobre as regras.

Embora tenha confirmado que já foram aplicadas multas com base no código, ele não conseguiu fornecer números. O prefeito reconheceu que mais trabalho é necessário para garantir que os visitantes compreendam as regulamentações e disse que o município planeja aumentar a capacidade de fiscalização.

Atualmente, Albufeira conta com apenas nove agentes da polícia municipal atribuídos a patrulhas de rua, mas a força deverá ganhar mais cinco ou seis agentes até o final do ano.

O município também está realizando uma revisão legal do Código de Conduta e pode introduzir emendas nos próximos meses.

“Estamos a analisar o código do ponto de vista legal para fazer algumas alterações a curto prazo e suavizar alguns aspectos,” disse o prefeito, acrescentando que algumas revisões podem entrar em vigor antes do final do verão.

Chamada à reflexão das empresas

Nem todos estão convencidos de que as regulamentações atingiram o equilíbrio certo.

A Associação Comercial de Albufeira (ACALB) disse que se opõe à forma como o código foi redigido e aprovado, argumentando que as medidas são excessivamente punitivas e dependem demais de restrições em vez de educação.

A associação disse que apoia plenamente os esforços para proteger a qualidade de vida dos residentes, mas advertiu contra medidas que poderiam prejudicar o apelo turístico do município.

“É preciso bom senso e equilíbrio. No dia em que Albufeira perder turismo, o município também perde seus residentes,” afirmou a organização.

A ACALB também criticou o processo de aprovação, argumentando que uma análise insuficiente foi realizada antes que as regulamentações fossem adotadas. Questionou regras relacionadas a vestuário, atividades esportivas e ruído, afirmando que algumas disposições são subjetivas e difíceis de aplicar de forma justa.

A associação apontou as restrições de ruído como um exemplo, argumentando que alguns limites são irrealistas. “Um caminhão de coleta de lixo passando na rua faz mais barulho do que os bares têm permissão para fazer,” disse.

O grupo também fez um apelo para uma revisão das restrições de horário de funcionamento que afetam os negócios relacionados ao turismo e urgiu os formuladores de políticas a buscar soluções que permitam a coexistência harmoniosa entre turismo e comunidades locais.

“A solução para esses problemas não pode ser imposta por decreto,” disse a ACALB. “Precisamos de medidas que corrijam comportamentos excessivos sem tratar incidentes isolados como a norma.”

Albufeira, que representa cerca de metade da capacidade hoteleira do distrito de Faro, continua a ser um dos destinos turísticos mais importantes de Portugal. O debate sobre seu código de conduta destaca o desafio contínuo de equilibrar as necessidades dos residentes, das empresas e dos milhões de visitantes que chegam a cada ano.

Fonte: Lusa


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